Quarta-feira, 6 de Maio, 2026

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Quase 800 pessoas em fuga após ataques em Cabo Delgado, Moçambique

Quase 800 pessoas, metade das quais crianças, fugiram de povoações no distrito de Nangade, província moçambicana de Cabo Delgado, devido a ataques de grupos terroristas, segundo relatório da Organização Internacional para as Migrações (OIM) divulgado esta segunda-feira.

De acordo com o documento, que analisa o período de 17 a 25 de abril, “a insegurança contínua e o medo de ataques” por parte de grupos armados não estatais, que operam há mais de oito anos no norte de Moçambique, “desencadearam um novo deslocamento” de populações para Mualela, no distrito de Nangade.

O relatório acrescenta que 767 pessoas, equivalente a 173 famílias, fugiram neste período a pé, principalmente das localidades de Nkonga, Machava, Samora Machel e Muangaza, “procurando segurança em Mualela”.

“Todos os deslocamentos [foram] supostamente motivados por ataques e pelo medo de potenciais ataques”, lê-se no texto, que identifica que as crianças representam “a maior proporção dos deslocados internos”, somando 346, além de 251 mulheres.

“Indicando vulnerabilidades significativas entre os grupos afetados. As necessidades humanitárias imediatas identificadas incluem alimentos, abrigo de emergência e itens essenciais não alimentares”, acrescenta o relatório.

Face “às preocupações de segurança prevalecentes na região, relatadas pelas famílias deslocadas”, a OIM reconhece que “as intenções quanto à duração da sua permanência nos locais atuais de deslocamento e nas comunidades anfitriãs permanecem incertas”.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou 11 eventos violentos nas duas últimas semanas, 10 envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram nove mortos, elevando para 6.527 os óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da ACLED, com dados de 06 a 19 de abril, dos 2.356 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.184 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

Lusa

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