Mais de uma centena de cidadãos nigerianos residentes na África do Sul solicitaram repatriação voluntária para o seu país de origem, na sequência do agravamento de actos xenófobos contra migrantes africanos, informou a ministra dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, Bianca Odumegwu-Ojukwu.

Segundo a responsável, decorre actualmente o processo de registo e recolha de dados dos cidadãos interessados, com vista à organização de voos de regresso. Até ao momento, pelo menos 130 nigerianos já formalizaram o pedido, motivados pelo clima de insegurança e violência que se intensificou nos últimos dias.
A decisão surge após incidentes graves, incluindo a morte de dois cidadãos nigerianos, alegadamente vítimas de espancamento durante confrontos que envolveram agentes de segurança sul-africanos. Os casos reacenderam preocupações sobre a protecção de migrantes no país.
Apesar de o Governo sul-africano ter condenado os episódios de violência e rejeitado qualquer política institucional de xenofobia, as autoridades nigerianas mantêm-se em alerta. O Presidente Bola Tinubu orientou que a situação seja acompanhada de perto, sobretudo num período marcado por manifestações convocadas entre os dias 4 e 8 de Maio em várias cidades sul-africanas.
A tensão ocorre num contexto já sensível. A África do Sul tem registado, ao longo dos anos, surtos recorrentes de violência xenófoba, frequentemente dirigidos a migrantes de outros países africanos, acusados por sectores da população local de contribuírem para o desemprego e a criminalidade.
Episódios semelhantes foram registados em anos anteriores, com ataques a estabelecimentos comerciais e residências de estrangeiros, resultando em mortos, feridos e deslocados. Organizações de direitos humanos têm alertado para a necessidade de medidas estruturais que combatam não apenas a violência, mas também as causas sociais e económicas subjacentes.
Neste cenário, o processo de repatriação voluntária surge como uma resposta imediata para garantir a segurança dos cidadãos nigerianos, embora analistas defendam que a solução duradoura passa por políticas mais eficazes de integração social e combate à desigualdade.

