O líder do Partido Trabalhista britânico, Keir Starmer, disse hoje que Boris Johnson não deveria ter permissão para “se agarrar” ao Governo temporariamente e ameaçou apresentar uma moção de censura para o remover do poder.

Fontes de Downing Street, citadas pela agência espanhola de notícias Efe, indicaram hoje que o primeiro-ministro, Boris Johnson, concordou em renunciar ao cargo depois que de mais de 50 membros do seu executivo terem-se demitido em protesto contra os escândalos que marcaram o seu mandato nos últimos meses.
No entanto, Starmer, líder do principal partido da oposição britânica, pediu que Johnson não seja autorizado a permanecer no Governo enquanto é escolhido um novo líder conservador, que se tornará automaticamente primeiro-ministro.
“O seu próprio partido chegou finalmente à conclusão de que ele não está apto para ser primeiro-ministro, não deveriam poder agora impô-lo ao país durante os próximos meses”, disse Starmer em declarações à imprensa.
“Se eles não se livrarem dele, o Partido Trabalhista vai, no interesse nacional, apresentar uma moção de censura [na Câmara dos Comuns] porque não podemos continuar com este primeiro-ministro durante meses”, acrescentou.
Enquanto aguarda a eleição do novo líder do Partido Conservador, processo que levará várias semanas, Boris Johnson deu início à nomeação dos ministros que compõem o novo executivo interino, para que não haja lacunas de poder no Reino Unido.
Desde que Rishi Sunak e Sajid Javid renunciaram, na terça-feira, aos cargos de ministros da Finanças e da Saúde, respetivamente, Boris Johnson enfrentou uma catadupa de renúncias, incluindo de ministros e secretários de Estado.
Chefe da diplomacia britânica pede “calma” aos conservadores
A chefe da diplomacia britânica, Liz Truss, considerada uma das favoritas para suceder a Boris Johnson à frente dos conservadores, pediu hoje ao seu partido para manter a “calma e unidade” até que haja uma nova liderança.
A ministra dos Negócios Estrangeiros — que teve de abreviar uma viagem à Indonésia devido à renúncia apresentada hoje por Johnson, após as demissões em massa de membros do seu gabinete — usou a sua conta na rede social Twitter para escrever que “o primeiro-ministro tomou a decisão certa”.
“O Governo sob a liderança de Boris alcançou muitos sucessos: executar o ‘Brexit’, as vacinas e apoiar a Ucrânia (na guerra com a Rússia)”, explicou Truss, acrescentando que falta agora manter a “calma e unidade, para continuar a governar, enquanto um novo líder é encontrado”.
O nome de Truss – que pertence à considerada “ala dura” dos conservadores — tem vindo a ser apontado como o de um dos potenciais candidatos à liderança do Partido Conservador, que terá de encontrar uma solução para a atual crise política.
Hoje, o primeiro-ministro aceitou apresentar a sua demissão, após uma conversa com Graham Brady, presidente da Comissão de 1922 – que reúne deputados conservadores sem pastas -, para decidir os passos a dar, já que é esta comissão que estabelece o calendário para escolher o substituto de Johnson.
Ao anunciar a sua demissão, Boris Johnson deu a entender que pretende ficar no cargo de primeiro-ministro até ao próximo congresso do Partido Conservador, que se deverá realizar no início do outono, mas são muitas as vozes que consideram que o atual chefe de Governo não terá condições para se manter no cargo até essa altura.
Espera-se que o novo líder conservador seja eleito quando o congresso anual do partido for realizado, entre 02 e 05 de outubro, na cidade inglesa de Birmingham.
Lusa

