O empenho diplomático de Angola na região dos Grandes Lagos poderá trazer benefícios à imagem de João Lourenço em tempos de eleições? O politólogo Olívio N’Kilumbo afirma: “O PR busca legitimidade externa, apenas isso”.

Luanda foi palco, esta quarta-feira (06), de uma cimeira que reuniu os presidentes da República Democrática do Congo (RDC) e do Ruanda, sob a mediação de João Lourenço na qualidade de presidente em exercício da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos. O objetivo? Tentar alcançar uma solução para a crescente tensão entre Kigali e Kinshasa, que se acusam mutuamente de apoio a grupos rebeldes.
Questionado sobre se o sucesso nesta mediação poderá trazer benefícios à imagem de João Lourenço no exterior, o politólogo angolano Olívio N’Kilumbo é peremptório: o objetivo do chefe de Estado angolano passa por “tentar pacificar uma zona onde o Ocidente tem dificuldade de se impor”.
Ou seja, considera o mesmo analista, João Lourenço busca legitimidade externa, algo que, explica, se consegue “com ações em termos de intervenção nos espaços internacionais”.
Na opinião de Olívio N’Kilumbo, João Lourenço não conseguiu, no entanto, “ser útil à RDC, em particular, ao não ter conseguido impedir o embargo de armas, que seria uma das formas fundamentais de combater a rebelião na região em causa”.
Olívio N’Kilumbo afirma que João Lourenço está interessado em legitimar o seu poder no exterior, salientando que “os regimes autocráticos dependem da legitimidade externa”.
“As eleições em Angola não servem para eleger o MPLA. O MPLA depende da legitimidade externa, isso está provado cientificamente. Os regimes autocráticos dependem da legitimidade externa, precisam de encontrar espaços lá fora. Dependem também de que os Estados estrangeiros reconheçam os resultados eleitorais. E isto é feito em termos de intervenções em espaços internacionais. E é isso que João Lourenço procura”, disse.
“Os regimes autocráticos não dependem das situações internas. João Lourenço não está interessado no que se passa aqui dentro. Ele apenas precisa que lá fora se consiga ver que ele tem capacidade de influência externa. Só”, reforçou.
Porém, Olívio N`Kilumbu não reconhece em João Lourenço grandes habilidades políticas quando comparado com José Eduardo dos Santos, “que teve muito tempo para se transformar no político que foi”.
DW África/Guardião

