36,20% dos angolanos é quádruplo extremamente pobre
Onze milhões, 947 mil e 270 cidadãos angolanos vivem actualmente num estado de consumo abaixo de 12 mil 181 kwanzas por mês apenas, perfazendo 406 kwanzas por dia, informou, esta sexta-feira, em Luanda, o Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o indicador do Banco Mundial sobre a pobreza extrema, para um país de renda média-baixa como Angola, uma pessoa é considerada extremamente pobre se tiver menos de 1.728 kwanzas (US$3.20) por dia para gastar.
Isso significa que 36,20% dos angolanos é quádruplo extremamente pobre. Isto porque com 406 kwanzas por dia para gastar por pessoa, estão 4 vezes abaixo do limiar da pobreza extrema.
Deste número, seis milhões e 643 mil 811 pessoas estão na zona rural e cinco milhões e 303 mil 459 habitam na urbana.
Os agregados familiares com três ou mais crianças representam 48 por cento dos quádruplos extremamente pobres, enquanto que a população cujo chefe do núcleo familiar trabalha por conta própria representa 51%.
Angola tem oito províncias onde a taxa de incidência de pobreza é superior a 50 por cento e 65 municípios, sobretudo nas localidades onde houve conflitos armados, com uma taxa de pobreza superior a 90%.
Para combater o fenómeno em todas as suas formas, dimensões e lugares, o governo tem dois programas em execução.
O Ministério das Finanças, através do Tesouro Nacional, disponibiliza todos os meses 25 milhões de kwanzas para cada município, no âmbito do Programa Integrado de Desenvolvimento Local e Combate à Fome e Pobreza.
O programa, instituído em 2018, visa mitigar as necessidades ao nível das aldeias, comunas e municípios.
Ainda no âmbito do programa Kwenda, financiado pelo Banco Mundial (320 milhões de dólares) e pelo governo angolano (100 milhões de dólares), o governo atribuí, directamente às pessoas mais vulneráveis, trimestralmente 25.500 kwanzas (8.500 kwanzas por mês), com proposta de aumentar esse valor para 33 mil kwanzas (11 mil kwanzas por mês).
A nível do país, 60 municípios e mais de um milhão de famílias já beneficiaram do Kwenda. O objectivo é atingir 1.6 milhões de famílias.
Com uma média de cinco filhos por agregado, apenas 5-7 milhões dos quádruplos extremamente pobres possivelmente recebem qualquer ajuda do Estado, ficando ainda uma franja considerável sem ajuda.

