Quarta-feira, 4 de Março, 2026

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Mulheres representam 43 por cento de estudantes no ensino superior

Cento e trinta e sete mil e 600 estudantes, representando 43  por cento do total de 320 mil, é o número de mulheres matriculadas no ensino superior no país, informou, nesta segunda-feira, em  Luanda, o secretário de  Estado para o Ensino Superior, Eugénio Silva.

O secretário de Estado do Ensino Superior considerou o número significativo, especialmente em alguns cursos das áreas da saúde e das humanidades, onde as mulheres atingem uma percentagem de 72 por cento dos estudantes matriculados.

Adiantou que há ainda alguns cursos como de Engenharias, Tecnologias e Ciências Agrárias onde a presença feminina ainda é diminuta, salientando que é necessário continuar a desenvolver mecanismos para o incentivo e interesse desta franja nas referidas áreas.

Eugénio Silva falava à margem da mesa redonda promovida pela Organização da Mulher Angolana (OMA) sobre “A mulher, a academia e o desenvolvimento”, que visou dar a conhecer o percurso e o papel da mulher em diversas áreas, quando por mérito próprio ela ocupa cada vez mais lugares e posições de destaque na sociedade.

Em relação ao quadro docente, Eugénio Silva disse que a percentagem é baixa, estando na ordem dos 22 por cento, por ausência de estratégias que permitam captar mais mulheres para as carreiras de docência e investigação.

“Acredito que tal como os homens a camada feminina têm competências e deve ter oportunidades.É importante que as mulheres tomem consciência que podem ocupar diversas áreas com todo o mérito que lhes assiste,” referiu.

Por seu turno a decana da Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto, Alice de Ceita e Almeida ressaltou que muitos factores concorrem para a baixa participação das mulheres na carreira docente e de investigação, por ser uma ocupação a tempo integral.

“Na nossa instituição o número de professoras não chega a dez e quanto aos discentes há equidade entre homens e mulheres, especialmente nos cursos de Arquitectura, Engenharia Química e Informática, onde a participação feminina é acentuada”, salientou.

Ao dissertar sobre o tema “O percurso da mulher na academia angolana desde a independência”, Alice de Ceita disse ser necessário que haja acções que incentivem a mulher a se fixar na actividade docente e investigativa, tendo em vista a equidade de género. 

Já a secretária-geral da OMA, Joana Tomás, disse que a sociedade e a academia devem encontrar e estabelecer formas de integrar, reconhecer e distinguir aqueles e aquelas que se destacam na disseminação do conhecimento.

“A academia é um espaço privilegiado de confrontação de saberes e do conhecimento e deve continuar a evoluir para que homens e mulheres de ciência trabalhem em pé de igualdade, para promoção do conhecimento nas diferentes áreas do saber”, realçou.

Joana Tomás congratulou-se com a indicação de duas mulheres para lugares de destaque no próximo governo, caso o MPLA ganhe as eleições, indicador de que elas são capazes e têm o mérito de ocupar estes cargos, o de vice-presidente do país e de presidente da Assembleia Nacional, respectivamente, Esperança Costa e Carolina Cerqueira.

A mesa redonda analisou temas como “O percurso da mulher na academia angolana desde a independência”, “A representatividade da mulher na academia”, “A moralização no processo de ensino” e  “A mulher académica no desenvolvimento económico de Angola”,  num acto que decorreu no Memorial António Agostinho Neto.

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