Quarta-feira, 11 de Fevereiro, 2026

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Governo começa hoje a entregar certidões de óbito às famílias das vítimas do 27 de Maio

O governo angolano começa hoje a entregar as certidões de óbito aos familiares das vítimas do 27 de Maio de 1977, informou, em Luanda, o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiroz.

Em declarações à imprensa, o governante disse haver muitos pedidos para a emissão de certidões de óbito, sublinhando que a entrega dos documentos simboliza a “expressão concreta da reconciliação e do perdão, em memória de todas as vítimas deste acontecimento”.

Adiantou que o Estado promove uma celebração no dia 27 de Maio, para transmitir um sinal claro de que “o 27 de Maio não é um acontecimento para esquecer, mas para lembrar, para que nunca mais aconteça”.

Serão realizadas duas cerimónias, especificamente no cemitério de Santa Ana e no largo da Independência, onde serão depositadas coroas de flores.

Segundo o programa da homenagem, apresentado em reunião da Comissão de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos, estão previstas intervenções de representantes do Governo e da Fundação 27 de Maio.

Prevê-se ainda a realização de uma missa, em homenagem às vítimas do 27 de Maio.

Em 27 de maio de 1977, uma alegada tentativa de golpe de Estado, numa operação que terá sido liderada por Nito Alves — então ex-ministro do Interior desde a independência (11 de novembro de 1975) até outubro de 1976 –, foi violentamente reprimida pelo regime de Agostinho Neto.

Seis dias antes, a 21 de maio, o MPLA expulsara Nito Alves do partido, o que levou o antigo ministro e vários apoiantes a invadirem a prisão de Luanda para libertar outros simpatizantes, assumindo paralelamente, o controlo da estação da rádio nacional, um movimento que ficou conhecido como “fraccionismo”.

As tropas leais a Agostinho Neto, com apoio de militares cubanos, acabaram por estabelecer a ordem e prenderam os revoltosos, seguindo-se, depois o que ficou conhecido como “purga”, com a eliminação das fações, tendo sido mortas cerca de 30 mil pessoas, na maior parte sem qualquer ligação a Nito Alves, tal como afirma a Amnistia Internacional em vários relatórios sobre o assunto.

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