Sexta-feira, 8 de Maio, 2026

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Angola abre portas para participação do Gabão na Refinaria do Lobito

Angola manifestou disponibilidade para integrar o Gabão no projecto da Refinaria do Lobito, numa iniciativa que visa reforçar a cooperação energética e petrolífera entre os dois países africanos.

A intenção foi apresentada durante a visita do Presidente gabonês, Brice Clotaire Oligui Nguema, à Refinaria de Luanda, no quadro da sua visita oficial a Angola.

Na ocasião, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, destacou as potencialidades da cooperação bilateral no sector energético, sublinhando que os dois países enfrentam desafios comuns ligados à indústria petrolífera e à necessidade de reforçar a capacidade de refinação no continente.

Segundo o governante, Angola está disponível para partilhar experiência e conhecimento técnico nas áreas de exploração, produção de petróleo, gás natural e biocombustíveis, ao mesmo tempo que pretende beneficiar da experiência gabonesa no sector.

Diamantino Azevedo aproveitou igualmente a ocasião para convidar formalmente o Gabão a participar no projecto da Refinaria do Lobito, infra-estrutura estratégica que, após concluída, deverá ter capacidade para processar cerca de 200 mil barris de petróleo por dia.

O responsável explicou que a refinaria foi concebida para responder não apenas às necessidades do mercado angolano, mas também para abastecer outros países da África Subsaariana, contribuindo para reduzir a dependência africana da importação de combustíveis refinados.

Actualmente, o projecto encontra-se em fase de construção, sendo a Sonangol a única investidora directa até ao momento. O Executivo angolano considera que a eventual participação do Gabão poderá reforçar a dimensão regional da infra-estrutura e abrir espaço para novos modelos de cooperação energética africana.

Durante a visita, o ministro angolano abordou ainda o estado actual da Refinaria de Cabinda, confirmando que a unidade já iniciou a produção, embora ainda enfrente limitações operacionais relacionadas com os sistemas de importação e exportação.

Segundo explicou, dificuldades técnicas associadas à construção marítima, alterações no projecto inicial e constrangimentos internacionais ligados ao fornecimento de aço atrasaram a conclusão definitiva das infra-estruturas complementares.

Apesar dos desafios, o Governo angolano mantém a aposta no aumento da capacidade nacional de refinação, estratégia considerada essencial para garantir maior autonomia energética, reduzir a importação de combustíveis e aumentar a oferta de derivados petrolíferos na região.

Angola continua entre os maiores produtores de petróleo em África, com uma produção actualmente estimada em cerca de 1,1 a 1,5 milhões de barris por dia, enquanto o Gabão produz entre 210 mil e 216 mil barris diários, sendo igualmente um dos principais produtores da África Central.

Analistas consideram que o aprofundamento da cooperação energética entre os dois países poderá fortalecer a integração regional e criar novas oportunidades económicas no sector petrolífero africano.

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