Quinta-feira, 30 de Abril, 2026

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Ativistas denunciam “Estado securitário” em Angola que transforma vidas “num inferno”

Ativistas angolanos disseram hoje que existe em Angola um “Estado securitário” que tem transformado as suas vidas “num inferno”, denunciaram “contínuas detenções arbitrárias” e exigiram a libertação dos ativistas “presos políticos” há nove meses.

A “indignação” dos ativistas e jovens de partidos políticos na oposição diante do “crescente cerceamento” do exercício das liberdades fundamentais, como direito de reunião e de manifestação em Angola, vem expressa num manifesto coletivo apresentado hoje, em conferência de imprensa, em Luanda.

Repudiaram “com veemência” a condenação do ativista Osvaldo Caholo — condenado na segunda-feira a dois anos e seis meses de prisão efetiva por instigação pública ao crime –, considerando que a decisão judicial “é mais um triste exemplo de criminalização dos defensores dos direitos humanos e da tentativa de silenciar vozes críticas em Angola”.

“A acusação de instigação pública ao crime é uma clara tentativa de desvirtuar o direito à liberdade de expressão e de manifestação, consagrados na Constituição da República de Angola (CRA) e em diversos instrumentos internacionais de direitos humanos”, afirmou a ativista e secretária de comunicação da juventude do Bloco Democrático (BD, oposição), Ana Filinga.

Neste manifesto, os movimentos cívicos e políticos consideram que as prisões dos ativistas André Miranda, Serrote de Oliveira “Genera Nila” e Osvaldo Caholo — todos detidos em julho de 2025 na sequência da greve dos taxistas — “é uma declaração inequívoca e clara de ditadura e de um Estado securitário”.

A detenção destes três ativistas “é um ato político visando intimidar e dissuadir outros cidadãos de exercerem os seus direitos cívicos, como o direito à manifestação”, referiu a ativista, que exigiu a “imediata libertação de todos os presos políticos”.

Adilson Manuel, também ativista ligado ao BD, denunciou a existência de um sistema contínuo de pressão e detenções de ativistas em Angola, “muitas delas injustificadas”, e previu que a repressão a manifestações de rua contra as políticas governamentais deve crescer, tendo em vista ao ano eleitoral (2027).

“Mas, a pressão para a libertação de ativistas presos políticos vai continuar”, assegurou.

Para Adilson Manuel, o “Estado securitário” que existe em Angola tem tornado a vida dos ativistas “num inferno, tem dificultado as ações daqueles que são os agentes de mudança em Angola”.

“O nosso dever é continuar a lutar, mas também mostrar outros métodos de ação, daí que as manifestações de rua frearam, o que é um mal, porque temos fome e pobreza, porque as populações estão frustradas, os jovens estão frustrados, [o] que pode descambar para uma insurreição popular, o que não queremos (…)”, declarou.

O respeito irrestrito às liberdades de expressão, reunião e manifestação, sem perseguições ou criminalização, o fim da repressão contra ativistas e a garantia de um sistema judicial independente e imparcial constam ainda das exigências dos ativistas.

Matulonga César, membro da Sociedade Civil Contestatária, lamentou a “violação sistemática” dos direitos fundamentais, sobretudo de vozes críticas à governação, e denunciou “vícios judiciais” em casos que envolvem ativistas.

“O que assistimos no dia 27 de abril [dia da condenação de Osvaldo Caholo] foi o que denominamos os vícios judiciais, já não se pode ir a um tribunal com rótulo de ativista, é proibido ir a um tribunal deste país sendo ativista”, afirmou.

O ativista Adolfo Campos defendeu “união e ações conjuntas” dos cidadãos para “afastar o MPLA” (partido no poder desde 1975) da governação do país: “Não podemos esperar as eleições [em 2027], porque elas são uma farsa (…). O povo precisa de se levantar para retirar o MPLA [do poder], por ser o cancro dos nossos problemas”.

Adolfo criticou os partidos políticos na oposição que, referiu, “se limitam apenas em fazer notas de repúdio quando são detidos ativistas” e “não avançam para ações concretas” na sua defesa.

Lusa

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