Sexta-feira, 7 de Agosto, 2026

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Masssano aponta Huíla como referência económica e defende agronegócio para diversificar a economia

Ministro de Estado para a Coordenação Económica afirma que Angola atravessa uma fase de crescimento sustentável e destaca o potencial da Huíla na transformação da economia nacional.

O Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, afirmou, esta quinta-feira, que a economia angolana atravessa uma fase de crescimento sustentável, apontando a província da Huíla como uma das principais referências económicas do país.

A declaração foi feita durante a visita de trabalho que o governante realiza à província, onde avaliou o desempenho de sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento económico e para o processo de diversificação da economia nacional.

Segundo Massano, a dinâmica económica registada na Huíla demonstra o potencial que as diferentes regiões do país podem desempenhar na construção de uma economia menos dependente do petróleo. O governante destacou, em particular, o agronegócio como um dos sectores com maior capacidade para gerar produção, emprego, rendimento e oportunidades de investimento.

Agronegócio no centro da diversificação

A aposta no agronegócio surge num momento em que o Executivo procura transformar a agricultura numa actividade cada vez mais integrada com a indústria, a logística, o comércio e os serviços financeiros.

Dados apresentados pelo próprio ministro em Maio indicam que a produção agrícola angolana ultrapassou 30,4 milhões de toneladas na campanha agrícola 2025/2026, representando um crescimento de 8,5% face à campanha anterior. Entre os produtos destacados estão o milho, trigo, mandioca, batata-doce, hortícolas, frutas e café.

Massano afirmou igualmente que o sector agropecuário duplicou o seu peso na economia ao longo da última década, passando de 13,66% do Produto Interno Bruto, em 2015, para 25,43% em 2025, segundo os dados apresentados pelo governante.

A evolução reforça a importância da agricultura não apenas como instrumento de segurança alimentar, mas também como uma actividade capaz de alimentar cadeias de valor nacionais e estimular a industrialização.

Huíla com potencial para liderar transformação

A Huíla é considerada uma das províncias com maior potencial agrícola e pecuário de Angola, beneficiando de uma importante actividade empresarial ligada à produção agropecuária e ao comércio.

A posição estratégica da província no sul do país também favorece a sua ligação a outros mercados e regiões produtoras, criando condições para o desenvolvimento de cadeias de abastecimento, transformação e distribuição.

A aposta no agronegócio implica, contudo, ir além da produção primária. O desafio passa por desenvolver agro-indústrias capazes de transformar localmente a produção, reduzir perdas pós-colheita, melhorar a conservação e criar produtos com maior valor acrescentado.

É precisamente esta abordagem que está no centro do Pacto AgriConnect de Angola, apoiado pelo Banco Mundial, que procura aumentar a produtividade agrícola, reduzir perdas pós-colheita e fortalecer as ligações entre agricultores, mercados e agroprocessadores. O programa pretende ainda melhorar o acesso a insumos, financiamento e tecnologia.

Produzir mais e transformar localmente

Para o Executivo, a diversificação económica não significa apenas substituir o petróleo por agricultura. Significa criar uma economia em que diferentes sectores estejam ligados entre si e sejam capazes de gerar valor dentro do país.

Neste sentido, o desenvolvimento do agronegócio poderá estimular a procura por equipamentos agrícolas, fertilizantes, transporte, armazenamento, seguros, crédito, tecnologia e serviços especializados.

A entrada em funcionamento, prevista para 2027, da primeira fábrica de amoníaco e ureia para produção local de fertilizantes é também apontada pelo Executivo como uma medida destinada a reforçar a capacidade produtiva nacional e reduzir vulnerabilidades relacionadas com a importação de insumos agrícolas.

Reformas económicas apresentam resultados, diz Massano

A declaração feita na Huíla surge na sequência de outras intervenções recentes do ministro, nas quais tem defendido que as reformas macroeconómicas implementadas pelo Executivo começam a produzir resultados.

Em Julho, durante a primeira edição da Gala AIPEX Awards, Massano afirmou que as reformas económicas, aliadas ao desempenho de sectores como a agricultura, indústria e comércio, estão a contribuir para a estabilização da oferta de bens de primeira necessidade e para o fortalecimento do Produto Interno Bruto.

O governante tem também defendido a diversificação como base para a recuperação e consolidação da economia angolana, destacando sectores como agricultura, transportes, telecomunicações e turismo para além do petróleo.

Outro indicador apresentado pelo ministro é a evolução da inflação. Em Junho, a inflação homóloga situou-se em 10,11%, segundo dados citados por Massano, o nível mais baixo desde 2015. O governante considera que a redução da inflação cria condições para crédito mais acessível, investimento e expansão da inclusão financeira.

Crescimento económico e melhoria das condições de vida

Apesar dos indicadores positivos apresentados pelo Executivo, a consolidação do crescimento económico continua dependente da capacidade de transformar o aumento da produção em emprego, rendimento e melhoria das condições de vida das famílias.

Neste domínio, o agronegócio apresenta uma vantagem particular: por envolver produção agrícola, pecuária, transformação, comércio e logística, pode criar oportunidades ao longo de toda a cadeia de valor.

Para a Huíla, a aposta representa igualmente uma oportunidade para reforçar a sua posição como um dos principais centros produtivos do país e como plataforma de desenvolvimento económico para a região sul.

A mensagem deixada por José de Lima Massano durante a visita é, por isso, mais ampla do que uma avaliação da economia provincial. Ao colocar a Huíla como referência e o agronegócio como factor de diversificação, o Executivo procura apresentar a província como exemplo do papel que as economias locais podem desempenhar na transformação estrutural de Angola.

O desafio será agora garantir que esta capacidade produtiva seja acompanhada por investimento, infra-estruturas, financiamento, tecnologia e mercados, permitindo que o crescimento económico se traduza em mais produção nacional, mais emprego e maior valor acrescentado dentro do país.

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