Segunda-feira, 3 de Agosto, 2026

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Filas nos ATM persistem em Luanda dias depois do restabelecimento da Unitel

Luanda — As longas filas junto dos Terminais de Caixa Automático (ATM) continuam a marcar o início desta segunda-feira, 3 de Agosto, em várias zonas de Luanda, apesar do restabelecimento dos serviços da Unitel após o ciberataque que atingiu a operadora na última semana.

Uma ronda realizada esta manhã por diferentes pontos da capital permitiu constatar que muitos cidadãos continuam a procurar os ATM para levantar dinheiro, num movimento que se prolongou durante todo o fim de semana.

O cenário é particularmente visível junto de máquinas localizadas em zonas comerciais e de grande circulação, onde dezenas de pessoas aguardam pela sua vez para efectuar levantamentos.

A procura excepcional por dinheiro físico surge depois de vários dias em que os sistemas de telecomunicações da Unitel estiveram condicionados, afectando indirectamente diferentes actividades económicas e meios de pagamento.

Unitel recuperou os serviços

A Unitel anunciou no sábado, 1 de Agosto, o restabelecimento da cobertura nacional das redes móveis 2G e 3G e a recuperação dos serviços de mensagens escritas.

A operadora informou igualmente que os serviços de dados e acesso à Internet através das redes 4G e 5G estavam a ser disponibilizados progressivamente em áreas significativas do país, mantendo-se o compromisso de normalizar integralmente os serviços nos dias seguintes.

O ataque, identificado às 02h20 de terça-feira, 28 de Julho, afectou os serviços móveis de voz, dados e Internet em todo o território nacional. A Unitel classificou o incidente como “deliberado e malicioso”.

A dimensão da interrupção provocou constrangimentos que ultrapassaram as telecomunicações, afectando actividades empresariais, compras e outros serviços que dependem da conectividade.

Dinheiro físico ganha novo protagonismo

Apesar da recuperação dos serviços, muitos consumidores continuam a preferir utilizar dinheiro físico para efectuar pagamentos.

A explicação pode estar relacionada com a necessidade de precaução depois dos constrangimentos registados nos últimos dias, mas também com o facto de o início do mês coincidir com o período em que muitos trabalhadores recebem os seus salários.

Para milhares de famílias, os primeiros dias do mês representam o momento de realizar as principais compras e despesas domésticas.

A conjugação destes dois factores — o impacto recente da falha tecnológica e o início do ciclo mensal de pagamentos e salários — poderá estar a contribuir para manter elevada a procura pelos ATM.

Assim, mesmo com o regresso gradual dos serviços digitais, muitos consumidores continuam a assegurar previamente algum dinheiro em espécie para fazer face às despesas.

Fim de semana marcado por filas

Durante o fim de semana, o movimento junto dos ATM também se manteve elevado em diferentes zonas da cidade.

Em algumas áreas, as filas prolongaram-se durante várias horas, obrigando os cidadãos a esperar pela sua vez para levantar dinheiro.

A situação evidencia como uma interrupção numa infraestrutura de telecomunicações pode produzir efeitos prolongados no comportamento dos consumidores, mesmo depois de o serviço principal começar a ser recuperado.

Durante os dias de maior instabilidade, consumidores recorreram ao dinheiro físico depois de encontrarem dificuldades em efectuar pagamentos electrónicos em estabelecimentos comerciais.

A própria Unitel reconheceu que o ataque provocou constrangimentos nas compras e pagamentos, efeitos que começaram a diminuir com a reposição gradual dos serviços.

Economia digital ainda sente os efeitos

O episódio demonstrou igualmente a forte dependência da economia angolana das infraestruturas digitais.

A Unitel é a maior operadora de telecomunicações do país, com cerca de 20,8 milhões de clientes e uma quota de mercado de 76%, segundo o Relatório e Contas de 2025.

Uma interrupção de grande dimensão numa rede com este peso afecta inevitavelmente não apenas os utilizadores de telemóveis, mas também empresas, comerciantes e serviços que dependem da conectividade.

Durante o período de indisponibilidade, empresas relataram dificuldades em comunicar com clientes e fornecedores, emitir documentos e realizar determinadas operações.

O episódio acabou, assim, por mostrar que as telecomunicações constituem actualmente uma infraestrutura essencial para o funcionamento normal da economia.

Regresso à normalidade será gradual

Embora a Unitel tenha avançado significativamente no processo de recuperação, a normalização dos hábitos dos consumidores poderá levar mais tempo.

A experiência dos últimos dias criou uma preferência temporária pelo dinheiro físico, sobretudo entre cidadãos que precisam de garantir recursos para as despesas diárias.

Ao mesmo tempo, o início do mês aumenta naturalmente a procura por numerário, devido ao pagamento de salários e à realização das compras e despesas mensais.

As filas observadas esta segunda-feira poderão, por isso, resultar da combinação excepcional entre os efeitos do ciberataque e o calendário normal de pagamentos.

O cenário deverá começar a aliviar à medida que os consumidores recuperarem a confiança nos meios electrónicos de pagamento e os serviços digitais voltarem a funcionar normalmente.

Um alerta para a resiliência digital

O ciberataque à Unitel deixa também uma questão para o futuro: até que ponto Angola está preparada para garantir a continuidade dos serviços essenciais perante falhas ou ataques a infraestruturas digitais críticas?

A dependência crescente dos pagamentos electrónicos, das telecomunicações e da Internet torna a resiliência tecnológica uma questão económica e social, e não apenas uma preocupação das empresas de tecnologia.

O episódio dos últimos dias mostrou isso de forma particularmente clara.

Uma falha numa operadora de telecomunicações rapidamente se transformou em dificuldades para consumidores, empresas e comerciantes, levando milhares de pessoas de volta aos ATM e ao dinheiro físico.

Enquanto a Unitel conclui o processo de normalização dos seus serviços, as filas junto dos caixas automáticos continuam a ser, nesta segunda-feira, um dos sinais mais visíveis dos efeitos prolongados do ciberataque que abalou as telecomunicações angolanas.

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