Sexta-feira, 8 de Maio, 2026

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FMI recomenda prudência na gestão das receitas petrolíferas em Angola e países da África Subsaariana

O Fundo Monetário Internacional recomendou esta quinta-feira, em Luanda, que os países exportadores de petróleo da África Subsaariana, incluindo Angola, adoptem uma postura prudente na gestão das receitas extraordinárias resultantes da subida dos preços do crude no mercado internacional.

A posição foi apresentada pelo director do departamento do FMI para África, Antoine David, durante a divulgação do relatório “Perspectivas Económicas Regionais”, documento que avalia o desempenho económico da região e aponta desafios relacionados com inflação, dívida pública, crescimento económico e estabilidade financeira.

Na análise apresentada, o FMI defende que os países produtores de petróleo devem aproveitar o actual contexto de receitas elevadas para reforçar as reservas internacionais, reduzir vulnerabilidades externas e reconstruir as margens de política económica, preparando-se para eventuais choques futuros associados à volatilidade do mercado petrolífero.

A instituição financeira sublinha que, apesar da recuperação parcial das economias africanas, persistem riscos significativos ligados à desaceleração económica global, instabilidade geopolítica, flutuações cambiais e aumento dos custos de financiamento internacional.

Para enfrentar este cenário, o FMI recomenda que os governos mantenham políticas monetárias prudentes, sobretudo nos países onde a inflação continua elevada. Nesse domínio, a organização sugere a manutenção de taxas de juro restritivas como forma de controlar as pressões inflacionistas e estabilizar as expectativas dos mercados.

No plano orçamental, o Fundo aconselha a continuidade das medidas de consolidação fiscal, especialmente nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, onde considera que os esforços de ajustamento ainda devem prosseguir para garantir a sustentabilidade da dívida pública.

O relatório destaca igualmente a necessidade de reforçar os mecanismos de protecção social, sobretudo nos países importadores com reduzida margem fiscal. Nestes casos, o FMI propõe a reorientação das despesas públicas para programas sociais mais eficientes e direccionados às populações vulneráveis, de forma a mitigar os impactos da inflação e da desaceleração económica sobre os grupos mais pobres.

No caso de Angola, o FMI reconhece os avanços registados nos últimos anos em matéria de reformas económicas, estabilidade macroeconómica e controlo da inflação, mas alerta que o país continua fortemente dependente das receitas petrolíferas, situação que o torna vulnerável às oscilações do preço do crude.

A instituição defende, por isso, o aprofundamento das reformas destinadas à diversificação da economia, melhoria do ambiente de negócios e fortalecimento do sector privado, como forma de assegurar um crescimento mais sustentável e menos dependente do petróleo.

Angop

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