Quarta-feira, 25 de Março, 2026

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Angola emitiu 2,5 mil milhões de dólares em Eurobonds a “taxas favoráveis” – Ministro

Angola mobilizou nos mercados internacionais 2,5 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros) em moeda estrangeira, com maturidade a sete e a 11 anos, anunciou hoje o ministro de Estado para a Coordenação Económica.

José de Lima Massano salientou “as taxas muito favoráveis” e o ter-se tratado da primeira emissão de divida soberana, por países emergentes, depois do conflito eclodir no Médio Oriente, nas declarações que fez no final da reunião de Conselho de Ministros.

A emissão foi feita em duas tranches, uma de 1,5 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros), com taxa de 9,25% e maturidade a sete anos, e outra que mil milhões de dólares (862,87 milhões de euros), com taxa de 9,8% e maturidade a 11 anos, segundo um comunicado divulgado pelo ministério das finanças.

O ministro sublinhou o facto de ter sido possível baixar as taxas de juros que Angola tinha de emissões anteriores.

“E é também um dado relevante, porque mesmo para aqueles títulos que têm sido transacionados no mercado internacional, a referência que temos, [é que] Angola é dos poucos países que depois do conflito consegue taxas de juros mais baixas do que aquelas que tinha anteriormente, pré-conflito”, salientou.

Participaram investidores que atuam no mercado do Reino Unido e nos Estados Unidos da América, sendo os últimos onde Angola conseguiu obter a maior mobilização de recursos para esta emissão de Eurobonds, frisou José de Lima Massano.

“Tratou-se de uma emissão importante por vários motivos, mas desde logo, o facto de ter sido a primeira emissão ocorrida, por países emergentes, depois do conflito eclodir no Médio Oriente”, destacou o ministro.

O governante realçou ainda que a oferta superou largamente a procura e a emissão foi realizada “num contexto ainda de grande incerteza e de forte volatilidade nos mercados internacionais”, conseguindo superar as expectativas iniciais de mobilização.

“Fomos aos mercados tentando mobilizar dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros) e o que tivemos de procura situou-se em cerca de 5,2 mil milhões de dólares (4,4 mil milhões de euros), fazendo com que ficássemos no final com 2,5 mil milhões de dólares”, vincou.

Segundo José de Lima Massano, foi uma “operação histórica” por ser das maiores emissões efetuadas num mesmo dia por países africanos, na região subsariana, apenas superados pela África do Sul e pela Nigéria.

“Revela também sinal forte de confiança desses operadores, investidores internacionais, que têm em relação ao andamento da nossa economia”, disse.

O ministro adiantou que os recursos mobilizados são para a execução de programas inseridos no Orçamento Geral do Estado (OGE) deste ano e vão também atender a “forte preocupação” de assumir compromissos ligados ao pagamento dos atrasados, ou seja, dívidas com prestadores de serviços ao Estado.

“Temos ainda um volume considerável de ordens de saque, por regularizar dentro do domínio dos 90 dias, que é o que temos [prazo] para o seu pagamento, o que nos dá também aqui esta tranquilidade e gostaríamos de aproveitar para transmitir o mesmo a quem interage, a quem tem relações de serviço com o Governo de Angola”, expressou.

Angola começou a emitir divida em Eurobonds em 2015, com uma emissão de 1,5 mil milhões de dólares, e em 2018, reforçou o seu posicionamento com duas operações, uma de 1,75 mil milhões de dólares, com uma taxa de juro de 8,25%, e a segunda, no valor de 1,25 mil milhões de dólares, com uma taxa de 9,38%, com maturidades mais longas, segundo informação do Ministério das Finanças.

Entre 2019 e 2021, foi adotada uma abordagem mais estruturada da dívida, com a definição de uma estratégia de médio prazo e emissões que totalizaram 3,5 mil milhões de dólares, refere-se.

No período de 2022 a 2024, “destacou-se o reforço da gestão ativa da dívida, incluindo a emissão de 2022 e operações de recompra, para melhorar o perfil de maturidade, e em 2025, a emissão Palanca VIII marcou o regresso de Angola aos mercados após três anos, “com forte procura internacional, consolidando a confiança dos investidores e o posicionamento do País como emitente credível”, lê-se no comunicado.

Angola prevê mobilizar este ano financiamento externo no montante de 7,93 biliões de kwanzas (7,3 mil milhões de euros) e a nível interno captar 7,11 biliões de kwanzas (6,5 mil milhões de euros).

Lusa

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