O preço do petróleo Brent, referência para as exportações angolanas, voltou a subir nos mercados internacionais e era negociado acima dos 113 dólares por barril, impulsionado pela escalada das tensões no Médio Oriente e pelos receios de perturbações no abastecimento global de energia.
De acordo com dados de mercado, o Brent registava uma valorização de cerca de 0,9%, para 113,77 dólares por barril, antes da abertura oficial das negociações, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançava 1,6%, para 99,80 dólares.
A subida dos preços ocorre num contexto de forte instabilidade geopolítica, marcada pelo agravamento do conflito entre os Estados Unidos e o Irão. O Presidente norte-americano, Donald Trump, terá dado um ultimato de 48 horas a Teerão para reabrir “totalmente” o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de transporte de petróleo no mundo.
O estreito é responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, pelo que qualquer interrupção ou bloqueio tem impacto imediato nos mercados energéticos e nos preços internacionais do crude. A
A Guarda Revolucionária iraniana negou ter atacado infraestruturas elétricas na região, mas advertiu que responderá caso os Estados Unidos ataquem instalações da República Islâmica, aumentando os receios de uma escalada militar com consequências diretas para o fornecimento de energia.
Analistas consideram que o atual cenário está a introduzir um forte “prémio de risco” nos preços do petróleo, uma vez que o mercado teme novas interrupções na produção ou no transporte de crude no Golfo Pérsico.
A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que a situação é “muito grave” e pode representar uma crise energética mais profunda do que as registadas na década de 1970, devido ao impacto simultâneo sobre o petróleo e o gás natural.
Nos mercados financeiros, o aumento das tensões também pressionou as bolsas internacionais, que se preparam para abrir em queda, enquanto os preços do gás natural europeu registam novas subidas, refletindo os receios de escassez energética.
Para países exportadores de petróleo como Angola, a valorização do Brent tende a reforçar as receitas provenientes das exportações de crude, embora a volatilidade dos mercados e a instabilidade geopolítica mantenham o cenário global marcado por forte incerteza.

