Quarta-feira, 11 de Fevereiro, 2026

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Sucesso do Corredor do Lobito depende de alinhamento estratégico e coordenação eficaz, afirma João Lourenço

O Presidente da República, João Lourenço, defendeu esta quinta-feira que o sucesso do Corredor do Lobito está directamente ligado a um alinhamento estratégico claro e a uma coordenação eficaz entre todos os intervenientes, sublinhando o compromisso de Angola com a integração regional e o desenvolvimento económico partilhado com a República Democrática do Congo (RDC) e a Zâmbia.

O Chefe de Estado falava na abertura da reunião de alto nível sobre o mecanismo de coordenação do Corredor do Lobito, um encontro que considerou decisivo para tornar a governação deste projecto regional mais operativa, com metas claras, responsabilidades bem definidas e mecanismos regulares de acompanhamento.

Segundo João Lourenço, os três países têm vindo a trabalhar em diferentes formatos para afirmar o Corredor do Lobito como prioridade estratégica, aproximando visões sobre governação, investimentos e facilitação do trânsito, num processo que culminou com a institucionalização da Agência de Facilitação do Corredor do Lobito.

O Presidente destacou que o corredor se afirma cada vez mais como um eixo estruturante para dinamizar o comércio, a logística e a transformação económica da região, ao ligar o Oceano Atlântico às zonas produtivas do interior da África Central. Nesse contexto, considerou que a infra-estrutura pode evoluir para uma verdadeira plataforma de desenvolvimento, contribuindo para a Zona de Livre Comércio Continental Africana (ZCLCA) e para o reforço do comércio intra-africano.

João Lourenço sublinhou igualmente o papel determinante dos parceiros de desenvolvimento, entre os quais o Banco Mundial, a União Europeia, os Estados Unidos da América e o Banco Africano de Desenvolvimento, no apoio a investimentos estruturantes e às reformas necessárias para garantir a credibilidade do projecto, reduzir riscos e atrair capital privado.

O mecanismo de coordenação do Corredor do Lobito, explicou, não visa criar novas estruturas burocráticas, mas sim assegurar que as iniciativas promovidas por instituições multilaterais, parceiros bilaterais e investidores privados estejam devidamente articuladas, evitando duplicações e fragmentações e maximizando o impacto colectivo.

O Chefe de Estado recordou ainda a assinatura, em Dezembro de 2025, de um financiamento superior a 700 milhões de dólares norte-americanos destinado à reabilitação e modernização do eixo ferroviário do corredor. O acordo inclui 553 milhões de dólares da Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos da América e 200 milhões de dólares do Banco de Desenvolvimento da África do Sul, considerados um sinal claro da transição da visão para a execução.

Para João Lourenço, este financiamento reforça a credibilidade e a bancabilidade do projecto, cria um efeito de demonstração para novos investidores e impõe uma maior responsabilidade colectiva, para que os recursos se traduzam em obras concretas, operações eficientes, reformas executadas e resultados mensuráveis.

O Presidente concluiu reafirmando que o Corredor do Lobito é mais do que um projecto de infra-estruturas, sendo um instrumento de integração regional, criação de emprego e melhoria das condições de vida das populações.

Antes da cerimónia de abertura, João Lourenço recebeu em audiência a Directora-Geral de Operações do Banco Mundial, num encontro que serviu para reforçar a cooperação entre Angola e a instituição financeira internacional, com destaque para o apoio a projectos estruturantes nas áreas das infra-estruturas, energia, agricultura e desenvolvimento social.

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