A União Africana (UA) defendeu, na noite de sábado, a necessidade de um diálogo político inclusivo entre os venezuelanos, na sequência da captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e da sua esposa, a deputada Cilia Flores, numa operação atribuída aos Estados Unidos da América, que tem provocado fortes reacções a nível internacional.

Num comunicado oficial, a organização pan-africana reafirmou o seu firme compromisso com os princípios fundamentais do direito internacional, sublinhando, em particular, o respeito pela soberania dos Estados, a integridade territorial e o direito dos povos à autodeterminação, conforme consagrado na Carta das Nações Unidas.
“A União Africana sublinha a importância do diálogo, da resolução pacífica dos litígios e do respeito pelos quadros constitucionais e institucionais, num espírito de cooperação e coexistência pacífica entre as nações”, lê-se no documento, que alerta para os riscos de escalada da tensão regional.
Segundo a UA, os desafios internos enfrentados pela Venezuela só podem ser resolvidos de forma sustentável através de um diálogo político inclusivo entre os próprios venezuelanos, sem interferências externas que possam comprometer a estabilidade do país e da região.
Nesse sentido, a organização apelou a todas as partes envolvidas para actuarem com moderação, responsabilidade e respeito pelo direito internacional, de modo a evitar o agravamento da crise e preservar a paz e a segurança regionais.
Entretanto, alguns países africanos adoptaram posições mais firmes face às acções de Washington. O Governo da África do Sul, em comunicado próprio, considerou que a captura do chefe de Estado venezuelano “mina a estabilidade da ordem internacional e o princípio da igualdade soberana entre as nações”, denunciando o que classifica como uma actuação unilateral contrária às normas internacionais.
Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela, Yván Gil Pinto, revelou, através do seu canal oficial no Telegram, ter recebido mensagens de solidariedade de vários países africanos, entre os quais Angola, Namíbia, Burkina Faso, Libéria, Chade, Níger e Gâmbia, que manifestaram rejeição às acções dos Estados Unidos e apoio ao Governo de Caracas.
A captura de Nicolás Maduro intensificou o debate diplomático em várias instâncias internacionais, com crescentes apelos ao respeito pelo direito internacional e à procura de soluções políticas que evitem uma nova escalada de tensões na América Latina e no sistema internacional.

