Quarta-feira, 11 de Fevereiro, 2026

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Alunos sem aulas por causa de visita de João Lourenço ao Cunene

O Presidente angolano, João Lourenço, está de visita ao Cunene até terça-feira. Para esse dia, foram canceladas todas as atividades letivas, do pré-escolar ao secundário, e foram adiadas provas. As críticas não tardaram.

O cancelamento das aulas no dia 5 de abril e o adiamento das provas escolares foram anunciados através de um documento que circula na Internet com o timbre e carimbo do Gabinete Provincial da Educação do Cunene.

A decisão é fundamentada com a necessidade do envolvimento de vários atores do sistema de ensino na visita do Presidente João Lourenço ao Cunene, que termina na terça-feira. Mas sindicalistas e encarregados de educação criticam o cancelamento.

Fernando Chilinvodela, um encarregado de educação, diz que é preciso separar a política do ensino. “Todas as escolas e colégios têm documentos a dizer que no dia 5 não há provas. Quando isso acontece, uma atividade partidária no meio da semana, é triste e, de facto, compromete não só a preparação dos nossos filhos, como também é transtorno para qualquer um que se engajava nestas mesmas provas”, critica.

Quem também se mostrou agastado com a decisão unilateral do gabinete provincial da educação é o secretário provincial do sindicato nacional dos professores, Augusto Baptista. “Porquê adiar as provas face a uma simples visita do chefe do Executivo? Já estamos em fase de avaliação, as crianças já estavam preparadas, porquê estas interrupções?”, questiona.

Recrutamento político nas escolas?

Para além da agenda de Estado reservada para esta segunda-feira (04.04), João Lourenço vai desenvolver, na terça-feira (05.04), ações de caráter partidário com o lançamento da agenda pré-eleitoral do Movimento Popular de Libertação Nacional (MPLA), para as eleições de agosto.

O representante da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) no Cunene, Torga Pangeiko, diz que as escolas não devem servir de base para o recrutamento de apoiantes políticos.

Para Pangeiko, o posicionamento do gabinete provincial da educação é uma demonstração de abuso de poder: “Nós repudiamos, não se deve continuar assim num país onde as instituições deviam ser mais sérias, deviam ser despartidarizadas.”

DW África

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