O dia da independência nacional, altura em que festejamos o 45º aniversário da nossa independência, ficou marcado por protestos, violência e uma polícia que meteu os pés pelas mãos, mostrando que ainda não está preparada para viver em democracia, adotando uma postura hostil contra uma marcha que devia ser pacífica e ordeira.
Jovens de vários extratos sociais saíram ontem a rua para protestar contra o elevado custo de vida e por autarquias em 2021. É bem verdade que o país está a viver momentos extremamente difíceis com a pandemia da covid e falta de recursos financeiros, fruto de 4 consecutivos anos de recessão económica e baixa do preço do petróleo no mercado internacional. Não obstante, não podemos nos esquecer que a fome é urgente e que todos os dias morrem 46 crianças por causa da fome em Angola, segundo o ‘Novo Jornal’. Um número assustador.
Todos os dias vemos pessoas a comerem nos contentores, uns marcam posto nos contentores à espera que alguém deite algo de jeito para comer, isso contrasta com a vida luxuosa que muitos dos nossos governantes ostentam. Então, não é estranho que a uma data altura as pessoas saiam a rua para reivindicar e pressionar o governo para que resolva os seus problemas.
Temos todos consciência que a atual administração herdou da prévia enormes problemas financeiros. O executivo de João Lourenço não deve olhar para as manifestações como um ato de repúdio às suas políticas, mas como um instrumento de correção. Sim nós valorizamos e apoiamos a luta contra a corrupção. Sim, nós valorizamos e apoiamos as reformas fiscais em curso no país. Sabemos que é preciso muita coragem para implementar muitas das reformas que têm sido implementadas, como a introdução do IRT para as forças de defesa e segurança, o corte de regalias aos membros do governo, mas a fome não espera. Precisamos com urgência um plano nacional de combate à fome.
O executivo e as forças de segurança, mais concretamente a polícia, não devem adotar uma postura hostil contra os manifestantes, como se esses os tivessem a desafiar.
Os problemas que estão a ser reivindicados, não são problemas de hoje. Há pessoas em Angola que só conhecem miséria. Não são pessoas que estão a reivindicar de barriga cheia, mas pessoas que têm menos de 500 kwanzas por dia para comer, quando o saco de arroz custa 15.000 kwanzas.
Por isso, a polícia deve ter maturidade para reconhecer esses factos na sua abordagem com esses jovens que somente reclamam por melhores condições de vida e têm todo o direito de o fazer.
Tudo que a polícia tinha a fazer, é criar um cordão de segurança, junto com os organizadores determinar um percurso seguro e deixa-los expressarem o tinham em mente, exigindo naturalmente o cumprimento das regras de distanciamento físico. Só isso teria sido o suficiente. Mas claramente a nossa polícia ainda não está preparada para viver em democracia.

