Sexta-feira, 12 de Junho, 2026

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A origem da tempestade política no Sri Lanka

A crise económica que afeta o Sri Lanka há alguns meses provocou um movimento de protesto sem precedentes desde a independência da ilha em 1948, que teve como ponto máximo no sábado (9) a invasão da residência oficial e a promessa de renúncia do do presidente Gotabaya Rajapaksa.

– Quem são os irmãos Rajapaksa? –

Presidente desde 2019, Gotabaya Rajapaksa (73 anos) integra o clã que governa a vida política cingalesa há várias décadas.

O líder do clã, seu irmão Mahinda (76 anos), foi presidente do país de 2005 a 2015. Uma década em que a dívida do país com a China aumentou com projetos faraônicos de infraestruturas e suspeitas de corrupção.

Quando chegou sua vez de ocupar o poder, Gotabaya nomeou o irmão como primeiro-ministro, mas Mahinda se viu obrigado a renunciar em maio, depois que os violentos confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes deixaram nove mortos.

– Qual a origem da crise económica? –

O turismo, sector vital da economia do país, foi duplamente afetado pelos atentados extremistas de abril de 2019 contra hotéis e igrejas (que deixaram 279 mortos, incluindo 45 estrangeiros) e pela pandemia de coronavírus.

Além disso, após sua chegada à presidência, os significativos cortes de impostos de Gotabaya esvaziaram os cofres públicos, o que deixou o país sem divisas para importar alimentos a combustíveis.

Apesar de ter recebido ajuda da Índia e de outros países em abril de 2022, o país não consegue pagar sua dívida externa.

– Como está a população? –

Os 22 milhões de habitantes da ilha enfrentam há vários meses a escassez de alimentos, remédios, cortes de energia elétrica e a falta de combustíveis.

E a inflação galopante (55% em junho) faz com que os poucos produtos acessíveis tenham preços exorbitantes.

A ONU já alertou que o país corre o risco de sofrer uma grave crise humanitária e 75% da população não se alimenta de maneira suficiente.

– E a situação política? –

Depois de meses de protestos, os manifestantes invadiram em 9 de julho o palácio presidencial. O presidente foi obrigado a fugir e anunciou a intenção de renunciar na próxima semana.

O Parlamento terá então um mês para escolher o sucessor, mas o presidente da Câmara prometeu que a decisão será anunciada até o fim da semana.

Uma promessa que será difícil de cumprir, pois no momento nenhum parlamentar parece ter apoio suficiente para assumir o cargo.

“Caminhamos para um período de perigosa incerteza”, declarou à AFP um deputado da minoria tâmil, Dharmalingam Sithadthan.

“Gotabaya teria que ter renunciado de maneira imediata para evitar um vácuo de poder”, acrescentou.

AFP

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