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Angola tem maior população empreendedora de 47 economias – Estudo  

Um estudo realizado para mapear o empreendedorismo aponta a população que se considera empreendedora “early-stage” (estágio inicial) em Angola, no período 2020/2021, ronda aos 50%, a maior de 47 economias analisadas, cinco das quais africanas.

A pesquisa, apresentada esta quinta-feira, em Luanda, considera vários critérios e indica que o número de empreendedores em Angola tem crescido de ano para ano.

Avança que o insucesso é relativamente baixo, nos últimos anos, apresentando em 2020 valores próximos dos verificados em 2014 (35% e 37%, respectivamente), tendo havido um aumento de 84% na percepção do risco de 2018 a 2020.

O relatório refere que a intenção de iniciar um negócio (estimada em 83%) continua a ser mais elevada entre a população angolana do que em qualquer outra dos países analisados pelo Global Entrepreneurship Monitor, GEM Angola (GEM 2020/2021 Global Report).

O estudo realça ainda que a actividade empreendedora na faixa etária mais jovem (18-24 anos) tem registado o maior crescimento: foi a faixa etária com a menor taxa de actividade em 2014 (15%) e quase maior em 2020 (54%), com a diferença de apenas um ponto percentual relativamente à faixa etária dos 25-34 anos (55%).

Falando na sessão de Apresentação do Estudo Global Entrepreneurship Monitor, GEM Angola, o presidente da Comissão Executiva do banco BFA, Luís Roberto Gonçalves, realçou a importância do estudo, considerando relevantes para a actividade empreendedora em Angola, que acaba por ter muitas referências sobre o que acontece no mundo.  

Destacou que o estudo mostra o estado do empreendedorismo em Angola num período de desafios face ao impacto da Covid-19. 

Considerou que o desenvolvimento da actividade empreendedora em Angola assume um papel crucial, uma vez que promove a actividade que gera oportunidades de emprego, sendo igualmente uma alavanca para o desenvolvimento sustentável do país.  

Na sua visão, o empreendedorismo pode ajudar a criar um ambiente de negócio favorável e uma economia diversificada.  

Luís Roberto Gonçalves entende que promover o empreendedorismo em Angola adivinha-se estratégico e prioritário, numa altura em que o BFA continua a adequar a oferta de produtos e serviços para servir esse segmento de clientes além de apoiar a investigação.  

Já o director do Centro de Estudos e Investigação da Universidade Católica de Angola (CEIC), Alves da Rocha, considerou fundamental a adopção em Angola de um modelo de desenvolvimento económico sustentável com base na educação, para permitir o desenvolvimento e o progresso.  

Explicou que a educação relaciona-se com tudo que se passa na economia,   aumentando a produtividade, diversificação, competitividade, abarcando as várias áreas da sociedade.  

Em seu entender, as políticas de combate à pobreza centradas apenas nas transferências de rendimentos não funcionam.“…a educação tem uma influência extraordinária no processo de redução da Pobreza. A educação está relacionada com o emprego, porque criar emprego deve ter uma componente fundamental”, reforçou.  

A pesquisa foi realizada pela Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI) – uma empresa de consultoria, criada em 1996, em parceria com o Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC-UCAN) e o Banco de Fomento de Angola.  

Envolveu a sondagem a dois mil indivíduos de 10 províncias, auscultação a 37 especialistas nacionais que avaliam 11 condições estruturais.  

Entre os países constam Estados Unidos da América, Alemanha, Brasil, Togo, Burkina Faso, entre outros, que ultrapassam Angola nalguns critérios analisados, como o período de sobrevivência de um negócio, que, no país, em cada cinco a quatro não sobrevivem.

O GEM reúne informações recolhidas ao longo dos últimos 22 anos, tendo analisado, neste período, mais de 120 economias, contando com a colaboração de mais de 500 especialistas, bem como a contribuição de mais de 300 institutos de investigação e 200 mil entrevistas.  

Angop

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