A Sociedade Mineira do Cuango (SMC), situada na província da Lunda Norte, dobrou a sua facturação com venda de 23 mil quilates de diamantes, em Fevereiro deste ano, para 12 milhões de dólares norte-americanos comparativamente a igual período de 2020.
Essa facturação representa um aumento de seis milhões de dólares (50%) para o capital financeiro da empresa, comparativamente ao período homólogo (Fevereiro de 2020), que registou USD 6,7 milhões resultantes da venda de 19 mil quilates.
Segundo o presidente do Conselho de Gerência da SMC, Hélder Carlos, o aumento da actual produção e dos níveis de facturação resultam da “reengenharia” operacional e a redefinição do modelo de trabalho gizadas pela direcção da empresa, durante o período crítico da pandemia da covid-19 no país.
O gestor, que falava à imprensa, no âmbito da jornada de campo que os jornalistas de alguns órgãos de Comunicação Social efectuam às regiões mineiras, de 16 a 25 deste mês, apontou também a estabilidade do preço do diamante no mercado como outro factor que tem contribuído na obtenção de resultados positivos.
Para o gestor, a retoma gradual aos bons resultados servem de alívio para a empresa, que esteve à beira da falência, durante o período crítico da pandemia da covid-19 no país.
“Neste período, precisamente em Julho de 2020, foi um momento particular de angústia, porque sentíamos que a empresa caminhava aceleradamente à falência”, recordou.
Diante desse cenário, contou, a direcção da sociedade teve de criar uma regeneração operacional adequada ao momento pandémico que o país e o mundo atravessam.
Fruto desse processo de regeneração, lembrou, a partir de Setembro de 2020, os níveis de produção da SMC começaram a melhorar, facto que permitiu terminar o ano com a produção de cerca de 20 mil quilates.
“Começamos bem o ano, com uma produção que rondou os 20 mil quilates/mês, além do mês de Fevereiro que permitiu vender 23 mil quilates, mas essa produção sofreu redução, essencialmente, por causa do excesso de chuva que caiu em Abril último e da avaria de algumas lavarias de diamantes”, afirmou.
Para o exercício económico 2021, a diamantífera angolana prevê produzir cerca de 247 mil quilates e arrecadar perto de 75 milhões de dólares, com o preço médio estimado em USD 350 por quilate.
Resultados obtidos em 2020
No geral, em 2020, a Sociedade previa a exploração/produção de cerca de 260 mil quilates, numa média de 20 mil quilates por mês, mas por causa da pandemia, a produção baixou para 164 mil quilates, com uma média de oito mil quilates/mês.
Com a produção prevista, estimou-se a obtenção de uma receita avaliada em 79,5 milhões dólares, com um preço médio de 350 dólares/quilate.
Contrariamente, a receita estimada baixou para 51,5 milhões dólares, o que representa uma perda de cerca de USD 40 milhões, tendo o preço médio de cerca de 314 dólares/quilate.
No mesmo período, o Cuango tinha previsão de investir mais de 10 milhões de dólares, sendo quatro milhões para aquisição de novos equipamentos para exploração de novas áreas e seis milhões para reposição de peças sobressalentes.
Esse investimento ficou reduzido em cerca de 9,4 milhões dólares, concretizados através de um estudo de viabilidade e novo modelo de trabalho gizado pela direcção da SMC, na altura.
Em consequência dos resultados negativos, o pagamento de impostos e taxas situaram-se em 5,15 milhões de dólares, contra os USD 6,4 milhões (12,5%) previstos em 2020.
Constituída em 2004, a Sociedade Mineira do Cuango emprega 665 trabalhadores (14 mulheres), sendo 442 nativos, 224 são de outras regiões (85 estrangeiros).
O total de funcionários representa cerca de 81% na estrutura de custo da empresa (remuneração).
Implantada numa área de concessão de 1945 quilómetros quadrados, a empresa iniciou a sua actividade em 2007, tendo como accionistas a Endiama, com 40%, ITM (38%) e a Lumanhe (22%).
A SMC opera na Bacia Hidrográfica do Cuango, propriamente no município de Xá Muteba, província da Lunda Norte.
Lusa

