Sábado, 14 de Março, 2026

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Pandemia acentua disputa sobre juíza indicada por Trump ao Supremo

Donald Trump pretendia confirmar a nova juíza do Tribunal Supremo antes da eleição presidencial de 3 de novembro, mas o surto de covid-19 na Casa Branca complicou sua agenda.

Há oito dias, o candidato à reeleição reuniu mais de 150 convidados – a maioria sem máscara – para anunciar a indicação de Amy Coney Barrett como o nono membro da mais alta instância jurídica do país.

A eleição de uma juíza conservadora e anti-aborto para substituir o ícone feminista progressista Ruth Bader Ginsburg (RBG), falecida em 18 de setembro, teve como objetivo galvanizar os eleitores da direita religiosa.

Pelo menos sete participantes dessa cerimônia tiveram resultados positivos para o novo coronavírus, começando pelo presidente, hospitalizado desde a noite de sexta-feira, e pela primeira-dama, Melania.

A juíza Barrett testou negativo.

Mas dois senadores republicanos convidados para a Casa Branca, Mike Lee e Thom Tillis, são portadores do novo coronavírus. Um terceiro senador republicano, Ron Johnson, anunciou no sábado que está infectado. Todos os três legisladores foram imediatamente colocados em quarentena.

De acordo com a Constituição americana, o Senado é responsável por confirmar os juízes indicados pelo presidente.

Os republicanos têm 53 das 100 cadeiras no Senado, mas dois de seus senadores não querem votar antes da eleição. Caso se prolongue, a ausência de seus colegas pode privá-los da maioria, pois o voto presencial é obrigatório e não pode ser delegado.

– ‘Muito perigoso’ –

Os senadores republicanos continuam otimistas.

“Vamos confirmar a juíza Amy Coney Barrett para o Supremo neste mês”, tuitou Lindsey Graham, que preside o Comitê Judiciário do Senado, na noite de sábado (3).

“Estou confiante”, acrescentou o senador republicano Rick Scott no domingo (4): “Não há razão para que essa pessoa maravilhosa não seja confirmada antes do final de outubro”.

Quando o contágio de três legisladores se tornou conhecido, o líder do Senado, o republicano Mitch McConnell, suspendeu as sessões plenárias da Câmara por duas semanas no sábado.

Ele garantiu, porém, que a Comissão Judiciária dará início ao processo de homologação de Amy Coney Barrett, conforme previsto, em 12 de outubro.

“Se é muito perigoso convocar o Senado em sessão plenária, também é muito perigoso ter trabalho em comissão”, respondeu o líder dos democratas do Senado, Chuck Schumer, cujo partido diz que o veredicto das urnas deve ser aguardado para se decidir sobre a sucessão do juiz RBG.

Para os republicanos, as discussões do comitê podem ser conduzidas com segurança.

“Os senadores Lee e Tillis podem participar por teleconferência, como temos feito” desde março, alegou Rick Scott.

– Voto das sacadas

As regras de funcionamento da comissão (composta por 12 republicanos e dez democratas) exigem, porém, que a maioria de seus membros esteja fisicamente presente para uma votação de procedimento no final do exame da candidatura de juiz.

Se os democratas decidirem boicotar as sessões, os republicanos estarão em número insuficiente, sem Lee e Tillis, para alcançar o quórum mínimo. Portanto, tudo dependerá do curso da doença.

Se eles permanecerem isolados, Mitch McConnell poderá decidir nomear outros legisladores para substituí-los. Também é possível optar por votar em plenária sem uma votação preliminar em comissão. Tão perto das eleições, essas manobras podem ter, no entanto, um alto custo político.

Quanto à votação final, 51 senadores devem estar presentes na Casa para que ela ocorra. Sem os três senadores quarentenados, os republicanos não conseguirão atingir esse número sozinhos.

Os democratas ameaçaram boicotar a reunião por motivos de segurança.

“Não somos obrigados a ir à linha de frente para votar”, rebateu Rick Scott, estimando que os colegas que conseguiram sair da quarentena poderiam fazê-lo das sacadas.

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