O ACNUR alertou hoje que o Ébola está a “espalhar-se rapidamente” nos campos de deslocados na República Democrática do Congo (RDCongo), onde o número de mortes subiu para 1.850 e o de pessoas contagiadas pelo vírus para 4.053.

Segundo um comunicado do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), pelo menos cinco dos 69 campos para pessoas deslocadas na RDCongo registaram casos de contágio, com 19 pessoas com Ébola, e cinco mortes.
O ACNUR alertou também que os deslocados internos que vivem em acampamentos, que muitas vezes não têm acesso a água potável e infraestrutura sanitária, e muitos desconfiam dos serviços de saúde, criam um “ambiente propício à disseminação do Ébola”.
As províncias de Ituri – onde, segundo as autoridades de saúde congolesas, estão concentrados 87,1% dos casos -, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Alto Uélé e Tshopo abrigam cerca de 4,4 milhões de deslocados internos e estão a ser afetadas pelo vírus.
Segundo o último relatório divulgado pelas autoridades do país africano, existem atualmente 4.053 casos confirmados, dos quais 694 são pacientes em isolamento ou hospitalizados, enquanto o número de mortes subiu para 1.850, o que eleva a taxa de letalidade para 45,7%.
Além disso, 793 pessoas estão a recuperar da doença e a taxa de rastreamento de contacto é de 77,7%.
A epidemia atual tornou-se, em 31 de julho, o segundo surto com o maior número de infeções registadas na história e o maior em termos de infeções na RDCongo, depois de ultrapassar o que também ocorreu no leste do Congo entre 2018 e 2020, que causou 2.299 mortes e 3.481 casos.
Esta é a 17.ª epidemia a afetar a RDCongo e é a que apresenta o crescimento mais rápido de infeções em comparação com qualquer outro surto desde a sua declaração, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo a OMS, o vírus começou a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração oficial do surto, embora uma pesquisa publicada pela revista ‘Science’ no final de julho tenha sugerido que as primeiras infeções podem ter ocorrido pelo menos já em janeiro.
No entanto, ainda está longe da pior epidemia de Ébola da história, que ocorreu na África Ocidental entre 2014 e 2016 e causou cerca de 11.000 mortes e 28.000 infeções.
O país vizinho de Uganda, onde a doença também se espalhou, declarou-o “livre do Ébola” em 28 de julho, após 20 infeções confirmadas, incluindo 15 casos considerados importados da RDCongo, entre os quais houve duas mortes.
A epidemia corresponde à estirpe Bundibugyo, cuja taxa de mortalidade varia entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina autorizada ou tratamento específico, segundo a OMS, que considera o risco de propagação do surto na África Subsaariana como “alto” e “baixo” em escala global.
O vírus do Ébola é transmitido por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.
Lusa

