Familiares avançam agora para a fase de identificação e reconhecimento dos corpos em Benguela
Está concluído, em Benguela, o processo de recolha de amostras dos 18 corpos que permaneciam por identificar na sequência do grave acidente de viação ocorrido na Estrada Nacional 100, na província do Cuanza-Sul.

A informação foi avançada esta quinta-feira, 6 de Agosto, pela Rádio Nacional de Angola, que indica que, concluída a recolha das amostras das vítimas, o processo entra agora numa nova fase, com a participação dos familiares nos procedimentos de identificação e reconhecimento dos corpos.
A identificação está a ser conduzida pelo Departamento de Medicina Legal do Serviço de Investigação Criminal (SIC), em Benguela, através de procedimentos de genética forense. As autoridades recolheram material biológico das vítimas e de familiares directos, nomeadamente sangue e saliva, para permitir a comparação do ADN.
18 corpos carbonizados aguardam identificação
Dos 22 mortos provocados pelo acidente, apenas quatro vítimas tinham sido identificadas numa primeira fase. Os restantes 18 corpos, que estavam no interior do autocarro, ficaram severamente carbonizados em consequência do incêndio provocado pela colisão, tornando impossível ou extremamente difícil a identificação por métodos convencionais.
Entre as vítimas encontram-se crianças, casais e um recém-nascido de apenas três dias, segundo informações divulgadas durante o processo de identificação.
A elevada carbonização dos corpos levou as autoridades a recorrer à identificação genética como principal método para estabelecer a identidade das vítimas.
Familiares chamados a participar no processo
A nova fase deverá contar com a participação dos familiares das vítimas, sobretudo parentes directos.
Durante o início da recolha de material genético, a médica legista Fátima de Almeida explicou que o procedimento privilegia familiares de primeiro grau, como pais, mães e filhos, por apresentarem maior valor para a comparação genética.
As autoridades apelaram aos familiares das pessoas que viajavam no autocarro para se dirigirem ao serviço de Medicina Legal do SIC, em Benguela, onde decorrem os procedimentos necessários à identificação.
O Governo Provincial do Cuanza-Sul também mobilizou as famílias das vítimas para participarem no processo, tendo em conta que entre os passageiros estavam cidadãos provenientes de diferentes províncias do país.
ADN será fundamental para confirmar identidades
A identificação genética constitui uma das etapas mais importantes do processo. As amostras recolhidas dos corpos serão comparadas com o material genético dos familiares, permitindo estabelecer correspondências e confirmar cientificamente a identidade das vítimas.
As autoridades indicaram igualmente que existem condições para a conservação adequada das amostras antes do seu encaminhamento para o Laboratório Central de Criminalística, em Luanda, onde serão realizados procedimentos complementares de análise.
Ainda não foi avançado um prazo definitivo para a conclusão de todas as identificações, uma vez que o processo depende também da chegada de familiares que ainda não tenham participado na recolha de amostras.
Acidente deixou 22 mortos e 12 feridos
O acidente ocorreu na madrugada de segunda-feira, 3 de Agosto, na EN-100, no município da Gangula, província do Cuanza-Sul.
A colisão envolveu um autocarro da empresa Macon, que transportava dezenas de passageiros, e uma motorizada de três rodas que transportava combustível e era ocupada por quatro pessoas.
Após a colisão, ocorreu um incêndio de grandes proporções que destruiu o autocarro e provocou a morte de grande parte dos seus ocupantes. No total, foram registadas 22 vítimas mortais e 12 feridos.
Entre os feridos, alguns apresentavam queimaduras graves e foram evacuados para Luanda para receber tratamento especializado no Hospital Especializado de Queimados Presidente Julius Nyerere. Outros permanecem sob cuidados médicos em unidades hospitalares do Cuanza-Sul.
Famílias aguardam respostas
Enquanto as equipas médico-legais prosseguem com o trabalho de identificação, familiares das vítimas continuam a aguardar a confirmação oficial da identidade dos seus entes.
Para muitas famílias, a conclusão da recolha de amostras representa um passo importante para pôr fim à incerteza e permitir que os corpos sejam finalmente reconhecidos e entregues para os procedimentos funerários.
O processo de identificação deverá continuar à medida que forem obtidas as correspondências genéticas e concluídos os exames periciais.
A tragédia reacendeu, entretanto, o debate sobre a segurança rodoviária em Angola, particularmente nas estradas nacionais, onde acidentes envolvendo veículos de transporte colectivo e cargas perigosas continuam a representar um elevado risco para os passageiros e demais utilizadores das vias.

