Um estudo conduzido por investigadores da Universidade Agostinho Neto, divulgado esta segunda-feira, revelou que o imbondeiro, uma das árvores mais emblemáticas de Angola, enfrenta um risco crescente de extinção devido à pressão humana, alterações climáticas e à insuficiência de medidas de conservação.

A investigação identificou igualmente várias espécies vegetais nacionais incluídas na chamada “lista vermelha”, instrumento científico utilizado para classificar espécies ameaçadas de desaparecimento e avaliar o seu grau de vulnerabilidade.
Segundo a directora do Centro Botânico da Universidade Agostinho Neto, a bióloga Manuela Pedro, a degradação dos habitats naturais, o abate indiscriminado de árvores, a expansão agrícola e urbana, bem como os períodos prolongados de seca registados em algumas regiões do país, estão entre os principais factores que ameaçam a sobrevivência do imbondeiro e de outras espécies nativas.
Conhecido cientificamente como Adansonia digitata, o imbondeiro desempenha um papel fundamental nos ecossistemas africanos. Além de contribuir para a conservação dos solos e da biodiversidade, a árvore serve de abrigo para diversas espécies animais e constitui uma importante fonte de alimento e rendimento para muitas comunidades rurais.
Manuela Pedro alerta que a perda destas espécies poderá ter impactos significativos sobre o equilíbrio ambiental, a segurança alimentar e o património natural do país. Por esta razão, defendem o reforço das políticas de reflorestação, a criação de áreas protegidas e uma maior sensibilização das populações para a preservação dos recursos naturais.
A bóloga e investigadora sublinha ainda que Angola possui uma das maiores riquezas biológicas do continente africano, mas continua a enfrentar desafios relacionados com a monitorização das espécies e a implementação efectiva de programas de protecção da biodiversidade.
O estudo surge num contexto em que várias organizações ambientais internacionais têm alertado para o aumento do número de espécies ameaçadas em África, consequência da pressão sobre os ecossistemas e dos efeitos cada vez mais visíveis das alterações climáticas.
Manuela Pedro defende que a preservação do imbondeiro e de outras espécies vulneráveis deve ser encarada como uma prioridade nacional, não apenas pela sua importância ecológica, mas também pelo seu valor histórico, cultural e económico para as futuras gerações.

