Quarta-feira, 27 de Maio, 2026

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Carlos Feijó defende reforma profunda do sistema de ensino e aposta no capital humano

O jurista e académico angolano Carlos Feijó voltou a defender a necessidade de uma reforma estrutural do sistema educativo, sublinhando que o desenvolvimento de Angola e do continente africano depende diretamente da qualidade do capital humano e da capacidade dos Estados investirem na educação de forma estratégica.

A posição foi expressa durante a apresentação do seu mais recente livro, “Capital Humano e Desenvolvimento no Continente Africano – Experiências, Modelos e Desafios”, onde Feijó reuniu reflexões sobre políticas educativas e os desafios estruturais enfrentados pelos sistemas de ensino africanos.

Na sua intervenção, o académico sublinhou que qualquer transformação significativa do sector da educação deve começar pela valorização dos professores, através de maior investimento na sua formação inicial, qualificação contínua e melhoria das condições de trabalho. Defendeu ainda que “não é possível melhorar os resultados do ensino sem melhorar quem ensina”.

Feijó argumentou igualmente que a reforma não deve limitar-se à formação de docentes, mas deve abranger todo o sistema curricular, desde a educação infantil até ao ensino superior. Para o académico, os conteúdos programáticos precisam de ser revistos e ajustados às exigências actuais do mercado de trabalho, da inovação tecnológica e do desenvolvimento sustentável.

O autor enquadra estas propostas numa visão mais ampla de desenvolvimento baseada no conceito de capital humano, segundo o qual a educação, a saúde e a formação profissional constituem os principais motores do crescimento económico e da redução das desigualdades sociais. Esta abordagem é amplamente discutida na literatura económica contemporânea e em estratégias de desenvolvimento adoptadas por vários países africanos.

Feijó tem, em diversas ocasiões, defendido que a educação deve ser tratada como prioridade estratégica nacional, chegando mesmo a propor medidas mais aceleradas de reforma do sector, com foco na eficiência, qualidade e modernização das instituições de ensino.

A apresentação do livro reuniu académicos, juristas e responsáveis do sector da educação, num debate centrado nos caminhos possíveis para reestruturar os sistemas educativos africanos e reforçar a capacidade dos Estados na formação de quadros qualificados.

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