Segunda-feira, 25 de Maio, 2026

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Bispo angolano diz que morte de 28 garimpeiros reflete fome e pobreza das famílias

O bispo de Caxito lamentou hoje a morte de 28 garimpeiros em mina ilegal de ouro na província angolana do Bengo e considerou que a situação é reflexo da fome, pobreza, desemprego e precariedade das famílias.

Maurício Camuto, citado pela Emissora Católica de Angola (Rádio Ecclesia), manifestou-se consternado com a “triste notícia” do elevado número de mortes no município do Nambuangongo (província do Bengo).

“[São]irmãos que procuravam maneira de alimentar-se, satisfazer as suas necessidades, alimentarem as suas famílias, pois, hoje, agora, o que há é isso: a sede de ouro, todo o mundo procura o ouro em toda a parte, em todo o lado, em todas as províncias”, afirmou o bispo católico.

Lamentou, no entanto, que o Governo angolano, no seu entender, “não consiga” travar o fenómeno da exploração ilegal de ouro em várias províncias do país, insistindo que a situação decorre da falta de condições básicas da família.

“E é difícil organizar, porque as pessoas não têm o que fazer, não têm emprego, não têm bons salários, não sabem o que fazer para poder alimentar-se ou alimentar as suas famílias, então aventuram-se fazendo estes trabalhos, procurando ouro em qualquer lugar e de qualquer maneira, sem respeitar as regras de mineração ou de exploração destes mineiros”, notou.

Pelo menos 28 pessoas morreram, no sábado, após o desabamento de uma mina artesanal ilegal de ouro na comuna Canacassala, município do Nambuangongo, anunciaram as autoridades que já abriram um inquérito.

Entre as vítimas estarão jovens, adultos e crianças, lamentou o bispo Maurício Camuto.

“Um país como nosso, com a quantidade de riquezas que tem, nós não estamos bem, se não nos deixarmos guiar pelo espírito santo vamos morrer assim. Ontem morreram devido ao fracionismo, matámo-nos uns aos outros devido ao poder e hoje morremos devido à fome”, concluiu o líder religioso.

O garimpo ilegal em várias províncias angolanas tem originado várias tragédias nos últimos anos.

Em junho de 2025, pelo menos seis pessoas morreram num intervalo de três dias em minas ilegais no Huambo, e 13 garimpeiros morreram soterrados na localidade de Tchikuele, município de Chipindo, na Huíla, numa mina clandestina de extração de ouro e outros minerais.

Registaram-se igualmente desabamentos mortais no Bié e na Lunda-Norte, associados à extração ilegal de diamantes, e em municípios do Huambo como Ukuma e Cuima.

Lusa

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