A engenheira angolana Alexandra Zau desenvolveu uma bengala inteligente destinada a apoiar a mobilidade de pessoas com deficiência visual, numa iniciativa que alia tecnologia, inclusão social e inovação nacional.

O projecto surgiu após um fórum sobre inteligência artificial realizado em Angola, durante o qual participantes com deficiência visual levantaram preocupações sobre a escassez de soluções tecnológicas adaptadas às suas necessidades no país.
Segundo explicou Alexandra Zau, a bengala funciona integrada com um aplicativo móvel baseado em sistema GPS, permitindo que o utilizador defina percursos e seja orientado ao longo do trajecto sem depender permanentemente de um acompanhante.
Através da aplicação, o utilizador pode seleccionar o destino pretendido — como uma farmácia ou outro ponto de referência — enquanto a bengala monitoriza os movimentos e auxilia na navegação durante o percurso.
O projecto foi distinguido internacionalmente durante uma exposição tecnológica em Nuremberga, onde recebeu reconhecimento entre iniciativas inovadoras voltadas para inclusão e acessibilidade.
Além da bengala inteligente, Alexandra Zau revelou ter desenvolvido outras soluções tecnológicas, entre as quais o aplicativo “Kibaba”, concebido para monitorização do ciclo menstrual feminino.
Segundo a engenheira, o aplicativo combina informação científica com elementos culturais africanos relacionados com saúde menstrual, puberdade e conhecimento tradicional transmitido entre gerações.
A plataforma permite às utilizadoras acompanhar os diferentes ciclos menstruais, aceder a conteúdos educativos e receber orientações sobre saúde feminina, procurando também combater a desinformação existente em torno do tema.
Alexandra Zau defende que a tecnologia africana deve responder aos desafios sociais e culturais do continente, valorizando simultaneamente o conhecimento científico e os saberes tradicionais.
O crescimento de iniciativas tecnológicas lideradas por jovens angolanos tem vindo a reforçar o debate sobre inovação digital, empreendedorismo tecnológico e desenvolvimento de soluções adaptadas à realidade local.
Especialistas consideram que projectos deste género demonstram o potencial do ecossistema tecnológico angolano, sobretudo em áreas ligadas à inclusão social, saúde digital e acessibilidade.
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