O Presidente angolano, João Lourenço, decretou luto nacional para hoje, sexta-feira, 22 de maio, em homenagem às vítimas dos conflitos políticos ocorridos em Angola entre novembro de 1975 e abril de 2002, segundo um decreto presidencial.

O decreto, divulgado na página do Facebook da presidência angolana, determina que na sexta-feira a bandeira nacional seja colocada a meia haste e sejam cancelados todos os espetáculos e manifestações públicas em todo o território nacional, bem como nas missões diplomáticas e consulares angolanas.
O luto tem a duração de um dia, das 00:00 às 23:59.
O diploma invoca “a necessidade de honrar a memória de todos os cidadãos angolanos que perderam a vida em consequência dos conflitos políticos que assolaram o País” e o “sofrimento coletivo vivido pelo povo angolano”, reafirmando “os valores da paz, reconciliação nacional e unidade entre todos os angolanos”.
O período coberto pelo decreto abrange a longa guerra civil angolana, de quase trinta anos, que opôs o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e no qual terão morrido entre 500.000 a um milhão de pessoas.
A guerra começou logo após Angola se tornar independente de Portugal, em novembro de 1975, numa luta de poder entre os dois ex-movimentos de guerrilha anticolonial que se tornou também palco de disputa entre potências rivais da Guerra Fria — União Soviética, Cuba, África do Sul e Estados Unidos da América.
A esperança de paz renasceu em 1991 com a assinatura do Acordo de Bicesse, mas depois das eleições terem dado a vitória ao MPLA, o confronto armado regressou.
Os combates só terminariam em 2002 com a morte do líder da UNITA, Jonas Savimbi.
O Acordo de Paz foi assinado a 04 de abril de 2002 em Luena (província do Moxico).
O luto nacional é decretado na véspera do 49.º aniversário do chamado “27 de Maio” — data em que, em 1977, uma alegada tentativa de golpe de Estado, supostamente liderada por Nito Alves, foi violentamente reprimida pelo Governo de Agostinho Neto, com a ajuda das tropas cubanas então presentes em Angola.
A Amnistia Internacional estima que pelo menos 30.000 pessoas foram assassinadas na repressão que tocou quase todas as famílias angolanas.
Há dois anos, o Presidente João Lourenço criou a Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas, com a missão de elaborar um plano geral de homenagem às vítimas dos conflitos políticos desde a independência nacional, a 11 de novembro de 1975, até à assinatura dos Acordos de Paz de Luena, a 04 de abril de 2002.
Lusa

