O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a resposta enviada pelo Irão à proposta norte-americana para pôr fim ao conflito no Médio Oriente, aumentando as dúvidas em torno das negociações diplomáticas em curso.

Numa publicação feita na rede Truth Social, Donald Trump classificou como “totalmente inaceitável” a resposta apresentada por Teerão, sem revelar detalhes concretos sobre o conteúdo das propostas iranianas.
Segundo a agência estatal iraniana IRNA, a resposta foi transmitida aos norte-americanos através do Paquistão, que actua como mediador das negociações. A proposta iraniana incluiria o cessar imediato das hostilidades em várias frentes do conflito, incluindo no Líbano, o levantamento do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos e o fim das sanções económicas relacionadas com a exportação de petróleo iraniano.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal The Wall Street Journal, o Irão terá ainda admitido diluir parte do seu urânio enriquecido e transferir o restante para um terceiro país, além de exigir compensações pelos danos provocados pela guerra.
A proposta inicial de Washington previa primeiro a interrupção dos combates antes da abertura de negociações mais amplas sobre o programa nuclear iraniano, condição rejeitada pelas autoridades de Teerão.
As negociações decorrem numa altura em que Donald Trump enfrenta pressão internacional para conter a escalada militar antes da sua deslocação à China, onde deverá reunir-se com o Presidente Xi Jinping.
Entretanto, a tensão continua elevada na região do Golfo. Autoridades dos Emirados Árabes Unidos informaram ter interceptado drones provenientes do Irão, enquanto o Qatar reportou um ataque contra um cargueiro nas suas águas territoriais. O Kuwait também accionou os seus sistemas de defesa aérea após detectar aeronaves não identificadas no espaço aéreo nacional.
Apesar disso, um navio da empresa QatarEnergy conseguiu atravessar em segurança o Estreito de Hormuz, numa travessia vista como gesto de confiança entre mediadores regionais e Teerão.
O conflito, iniciado a 28 de Fevereiro, já provocou milhares de mortes, sobretudo no Irão e no Líbano, além de aumentar os receios de impacto na economia mundial devido à instabilidade no comércio internacional de petróleo.
Numa entrevista à emissora CBS, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que a guerra “ainda não terminou”, defendendo o desmantelamento das instalações nucleares iranianas.
Donald Trump afirmou igualmente que os Estados Unidos já atingiram cerca de 70 por cento dos alvos considerados prioritários no Irão, advertindo que novas operações militares continuam possíveis.

