Segunda-feira, 11 de Maio, 2026

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Governo promete criar centros especializados para tratamento da “tala” e lesões complexas

O secretário de Estado para a Área Hospitalar, Leonardo Europeu Inocêncio, afirmou que a chamada “tala” ou “mina tradicional” tem tratamento adequado nas unidades hospitalares, defendendo maior procura pelos serviços especializados de saúde para evitar complicações graves e até mortes.

As declarações foram feitas durante o Workshop Nacional sobre Cuidados e Tratamento de Lesões, realizado em Luanda, onde especialistas debateram os desafios ligados à prevenção e controlo de feridas complexas, lesões por pressão e casos resultantes de práticas tradicionais sem acompanhamento clínico.

Segundo o governante, o Executivo pretende criar centros especializados para o tratamento destas lesões em diferentes unidades hospitalares do país, incluindo uma área específica no futuro Hospital dos Queimados. O objectivo é acelerar a recuperação dos pacientes através da introdução de novas terapias e tecnologias modernas.

Entre as apostas anunciadas está a introdução, pela primeira vez em Angola, de câmaras hiperbáricas, tecnologia utilizada no tratamento de feridas complexas, queimaduras e lesões graves, além do reforço do tratamento a laser nas unidades sanitárias.

Leonardo Inocêncio explicou que muitos casos chegam aos hospitais em estado avançado devido ao recurso tardio à medicina convencional, após tentativas sem sucesso de tratamentos tradicionais. Alertou ainda que algumas feridas, sobretudo em pacientes diabéticos, exigem tratamento multidisciplinar, incluindo controlo da glicemia, hidratação, administração de antibióticos e acompanhamento clínico rigoroso.

Especialistas participantes no encontro destacaram igualmente o aumento preocupante das lesões por pressão, comuns em pacientes acamados ou com mobilidade reduzida. Estas feridas surgem quando o paciente permanece durante muito tempo na mesma posição, comprometendo a circulação sanguínea e causando danos nos tecidos.

O Hospital do Brenda, em Luanda, apontado como uma das unidades de referência no tratamento destas patologias, recebe diariamente entre 20 e 30 pacientes com diferentes tipos de lesões, muitos deles encaminhados após agravamento do quadro clínico.

Profissionais de saúde defendem maior sensibilização das famílias e reforço da formação técnica dos enfermeiros e médicos, considerando que o diagnóstico precoce e a intervenção rápida são determinantes para reduzir o tempo de internamento, as complicações clínicas e os impactos sociais e económicos associados às lesões.

O workshop reuniu especialistas de várias unidades hospitalares e profissionais de diferentes áreas da saúde, com foco na melhoria dos protocolos de prevenção, segurança dos pacientes e organização dos serviços hospitalares.

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