Segunda-feira, 11 de Maio, 2026

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Câmara de Comércio de Angola em Macau diz que fecho de consulado “é retrocesso”

 A Câmara de Comércio de Angola em Macau (CCAMO) defendeu hoje que o encerramento anunciado do consulado-geral angolano no território representa “um retrocesso” que prejudica relações empresariais e “um contrassenso” face ao reforço da cooperação sino-africana.

“Obviamente, na nossa perspetiva, é um retrocesso àquilo que nós tínhamos, até porque o consulado estava a fazer um trabalho relativamente importante, nomeadamente no estabelecimento de relações entre empresários angolanos e empresários locais”, reagiu à Lusa o presidente da assembleia-geral da CCAMO.

Para Pedro Lobo, a decisão vai, “obviamente, prejudicar um pouco, este desenvolvimento que se está a ter com as relações entre China e África”.

A notícia do encerramento da representação diplomática em Macau foi avançada pelo Jornal de Angola, na sequência do anúncio do Ministério das Rela­ções Exte­ri­o­res angolano, na sexta-feira, da redu­ção do pes­soal nas mis­sões diplo­má­ti­cas e fecho de qua­tro con­su­la­dos, em Macau (China), Nova Iorque (Estados Unidos), Roterdão (Países Baixos) e Montevideu (Uruguai).

“O pro­cesso surge na sequên­cia de um excesso de pes­soal diplo­má­tico e admi­nis­tra­tivo nas repre­sen­ta­ções exter­nas, ali­ado à insu­fi­ci­ên­cia do orça­mento atri­bu­ído pelo Minis­té­rio das Finan­ças para cobrir os encar­gos das mis­sões diplo­má­ti­cas”, escreveu o Jornal de Angola, citando declarações do secre­tá­rio de Estado para Admi­nis­tra­ção, Finan­ças e Patri­mó­nio angolano, Osvaldo Varela, em Windhoek, na Namí­bia.

A medida, indica agora Lobo, torna “bastante complicado” o contacto com as autoridades de Luanda e qualquer apoio consular ou esclarecimento de dúvidas, que terá de ser tratado no consulado de Guangzhou (Cantão) ou na embaixada de Angola em Pequim.

Em 2018, já tinha sido avançada a possibilidade de encerramento da representação diplomática angolana em Macau, o que acabou por não acontecer.

“Deixa-nos um bocado preocupados, até porque a própria China, neste momento, abriu as taxas zero a vários países da África, o que parece um bocado contrassenso Angola neste momento estar a fechar consulados”, lembrou Pedro Lobo.

A China começou a aplicar, a partir deste mês, tarifas zero aos países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, para ampliar o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês.

A medida foi anunciada em comunicado oficial divulgado em abril, no final da visita do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, a Pequim, durante a qual o Presidente da China, Xi Jinping, defendeu o reforço da cooperação com Moçambique e o aprofundamento da coordenação entre os países em desenvolvimento.

Esta iniciativa de Pequim demonstra, refletiu Lobo, “uma estratégia óbvia de ajuda não só aos países da África sobre o desenvolvimento económico, mas também uma estratégia de aposta no mercado africano”.

Sobre o trabalho da CCAMO, o presidente da assembleia-geral referiu que a instituição tem procurado aproximar empresários de Macau e da China continental a parceiros em Angola e reativar as relações que ficaram suspensas durante a pandemia.

“As coisas estavam bastante avançadas antes da covid[-19] e agora estamos a tentar recuperar as relações. Neste momento, este corte do nosso consulado torna as coisas um bocado mais complicadas”, lamentou.

Lusa

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