O Presidente angolano admitiu hoje que “é alta” a taxa de crianças fora do ensino em Angola, por insuficiência de escolas, avançando que o Governo está a lutar para reaver recursos financeiros no exterior para construir mais infraestruturas.

João Lourenço pediu hoje a Erika Aires, a nova ministra da Educação, que vem substituir Luísa Grilo, para fazer tudo “para que não haja uma única criança que não tenha acesso à escola”.
“A educação e ensino são muito importantes para o desenvolvimento de qualquer país, de qualquer sociedade, nós acabamos de lhe confiar a responsabilidade de, não só melhorar a qualidade do nosso ensino, mas também tudo fazer para que não haja uma única criança que não tenha acesso à escola, à educação”, disse João Lourenço na cerimónia de tomada de posse de Erika Aires.
Segundo o Presidente angolano, a taxa de crianças fora do sistema de ensino em Angola é alta, por vários fatores, entre os quais o número insuficiente de escolas, devido à pressão demográfica, que “é grande”.
“Muito se tem construído no âmbito do PIIM [Plano Integrado de Intervenção nos Municípios] e não só, mas mesmo assim o défice continua alto, precisamos continuar a construir e a construir rápido, um número bastante significativo de escolas, sobretudo do primeiro nível”, sublinhou.
O chefe de Estado angolano realçou que já foram alocados recursos para a construção de escolas, mas o Governo está disponível para mobilizar mais dinheiro para debelar este problema social, que Angola gostaria “de ver resolvido tão cedo quanto possível”.
“Estamos a trabalhar para conseguirmos recuperar recursos financeiros que se encontram em bancos lá fora, em bancos europeus e não só, e que, por sentença dos tribunais angolanos, são recursos que hoje pertencem ao Estado angolano, portanto, devem ser revertidos a seu favor”, destacou.
O Presidente angolano garantiu que “esta luta continua”, mostrando-se convicto de que vai conseguir “reaver esses recursos” e que pensa já utilizar “boa parte” dos mesmos para aumentar o número de escolas a serem construídas.
A exemplo do que já acontece no setor da saúde, prosseguiu João Lourenço, o processo de construção de infraestruturas deve ser acompanhado de formação e admissão de pessoal docente e administrativo, para o funcionamento de novas escolas.
João Lourenço manifestou apoio a Erika Aires para esses desafios, com objetivo de “colocar a educação num nível bem diferente” do atual.
Por sua vez, a ministra da Educação referiu que vai começar por uma radiografia ao setor e dar continuidade aos programas e projetos aprovados pelo Executivo angolano e aos que já estão em curso.
“Reconhecemos que os desafios no setor da educação são muitos, mas a educação assenta num quadro legal sólido e numa visão estratégica clara”, disse a governante angolana, acrescentando que o objetivo é “expandir a rede escolar, dar continuidade a reabilitação e a construção de escolas, sem esquecer que será necessário recrutar mais professores, investir na formação contínua dos quadros da educação e modernizar o sistema curricular”.
A titular da pasta da Educação frisou que o Orçamento Geral do Estado em vigor prevê um aumento do setor social de cerca de 25%, sendo que, desse valor, 6% serão alocados para o setor da educação.
Lusa

