Terça-feira, 10 de Fevereiro, 2026

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BAD manifesta intenção de financiar sector agrícola angolano com mais de 200 milhões de dólares

O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) manifestou a intenção de financiar o sector agrícola em Angola com mais de 200 milhões de dólares, com especial incidência no desenvolvimento da cadeia de valor dos cereais ao longo do Corredor do Lobito, nomeadamente na produção de arroz e trigo, considerados produtos estratégicos para a segurança alimentar do país.

A intenção foi reiterada durante um encontro realizado em Luanda, que reuniu o Governo angolano, o BAD, o Banco Mundial e outros parceiros de desenvolvimento. Na ocasião, o BAD apresentou os principais projectos em curso em Angola, sublinhando que o financiamento previsto poderá abranger várias áreas, embora o foco principal recaia sobre a agro-industrialização e o reforço da produção agrícola associada ao corredor.

Segundo o BAD, parte do investimento está a ser estruturado com a participação do sector privado, com destaque para a Motengil, que apoia a organização de investimentos ligados ao Corredor do Lobito. O banco indicou ainda que estão a ser analisadas várias formas de apoio ao sector privado, indo além da componente ferroviária, com vista a impulsionar a agenda de desenvolvimento económico do corredor.

No domínio das infra-estruturas, o BAD revelou que mantém financiamentos associados a projectos ferroviários e logísticos na região, bem como parcerias com instituições como a Africa Finance Corporation, para o desenvolvimento de novas ligações ferroviárias e outros projectos estruturantes.

O encontro abordou igualmente a criação de zonas industriais de agro-processamento em Angola. O BAD anunciou o envio de uma equipa técnica ao país até meados de Março, com o objectivo de trabalhar com o Governo na identificação de locais prioritários e na estruturação dos investimentos no sector das agro-indústrias.

Relativamente ao volume de financiamento, o banco sublinhou que não existe um limite fixo para os investimentos em Angola, esclarecendo que o apoio dependerá da qualidade, viabilidade e impacto dos projectos apresentados. Estão igualmente em análise iniciativas ligadas ao Porto de Luanda e possíveis parcerias com o Fundo Soberano de Angola e outros actores privados.

Ainda no mesmo dia, o Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, recebeu a Directora de Operações do Banco Mundial, com quem analisou o estado da cooperação entre a instituição e Angola e as prioridades do novo quadro de parceria para os próximos cinco anos.

A responsável do Banco Mundial manifestou satisfação com os progressos nas reformas macroeconómicas e fiscais em curso no país, destacando o impacto positivo na estabilidade económica, na atração de investimentos e na criação de emprego, sobretudo para os jovens. A audiência abordou também o desenvolvimento de plataformas de agronegócio destinadas a aumentar a produtividade dos pequenos agricultores e a melhorar o acesso aos mercados.

O Banco Mundial reiterou ainda o compromisso de continuar a apoiar as prioridades de desenvolvimento de Angola, defendendo a transformação do Corredor do Lobito num verdadeiro corredor económico, capaz de gerar emprego, investimentos, sustentabilidade e bem-estar para as populações das zonas abrangidas.

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