A população de Mocímboa da Praia denunciou hoje que pelo menos duas crianças foram raptadas por supostos terroristas, no bairro Filipe Nyusi, arredores daquela vila na província moçambicana de Cabo Delgado.

Segundo as fontes, os raptos aconteceram na noite de 24 de janeiro, quando os insurgentes entraram nas casas das vítimas, que têm 12 e 13 anos de idade.
“Os terroristas levaram crianças, não sabemos as motivações”, disse à Lusa uma fonte local, a partir de Mocimboa da Praia.
Outra fonte acrescenta que uma das crianças é filha de um membro da Força Local, paramilitares que apoiam as Forças Armadas no combate aos grupos de terroristas que atuam em Cabo Delgado.
“Nunca ouvimos isso, até parece retaliação”, lamentou.
O paradeiro das vítimas continua desconhecido, enquanto as autoridades trabalham para localizar as crianças através rusgas nas matas.
Este ataque, que não provocou vítimas mortais, criou forte alvoroço nos últimos dias nos bairros Filipe Nyusi e 30 de Junho, que já foram visados em 2025 por estes grupos insurgentes.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou 17 eventos violentos no último mês, desde dezembro, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram 13 mortos, elevando para 6.418 o total de óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório desta organização, dos 2.298 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.133 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.418 mortos, refere-se no novo balanço, incluindo as 13 vítimas reportadas neste período de cerca de um mês.
Lusa

