Quarta-feira, 28 de Janeiro, 2026

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Novo ramal do Caminho de Ferro de Benguela vai ligar Luena a Saurimo

O Caminho de Ferro de Benguela (CFB) vai ganhar um novo ramal ferroviário com 260 quilómetros, que irá ligar as cidades do Luena, na província do Moxico, e Saurimo, na Lunda Sul, num projecto considerado estratégico para o desenvolvimento económico e a integração territorial do país.

Ao longo do traçado estão previstas a construção de oito estações ferroviárias, várias pontes e a criação de mais de três mil postos de trabalho directos. A obra, a cargo de um consórcio liderado pela Odebrecht, visa reforçar a ligação entre o litoral e a região mineira do leste de Angola, facilitando o escoamento da produção mineral, agrícola e de mercadorias diversas.

O ramal terá início na zona do Porto Seco do Luena, atravessará os municípios de Camanonga, no Moxico, e Dala, na Lunda Sul, terminando na cidade de Saurimo. A infra-estrutura deverá impulsionar o escoamento da produção agrícola do Moxico, da Lunda Sul e de províncias vizinhas, além de contribuir para a redução dos custos de transporte de bens essenciais como combustível, cimento, cereais e outros produtos.

A construção do ramal Luena–Saurimo é considerada histórica, por se tratar do primeiro projecto, desde a independência, a permitir a interligação de dois caminhos-de-ferro em Angola. A obra terá uma duração estimada de 60 meses.

Os trabalhos de desminagem do traçado tiveram início em Março de 2025 e ficaram concluídos no início de Setembro do mesmo ano, garantindo a segurança total dos 260 quilómetros da linha para o arranque da fase de construção.

O projecto foi concebido com foco na valorização do território e na preservação ambiental. Os estudos de impacto ambiental asseguram a protecção da biodiversidade ao longo do traçado e preveem medidas de mitigação, incluindo a compensação ambiental em quantidade superior sempre que houver derrube de vegetação.

O lançamento do ramal e o auto de consignação da obra tiveram lugar na cidade do Luena. Para o ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, trata-se de um projecto de elevada relevância, por representar o primeiro investimento totalmente “greenfield” no sector ferroviário angolano em quase um século, depois de décadas focadas sobretudo na reabilitação das linhas afectadas pelo conflito armado.

O governante sublinhou ainda que o ramal Luena–Saurimo constitui um marco de modernização e confiança na capacidade nacional e internacional de execução de infra-estruturas complexas, integrando-se numa visão mais ampla de criação de uma rede ferroviária nacional integrada, com futuras ligações internas, bem como conexões internacionais à Zâmbia e à Namíbia.

Com este projecto, o leste do país ficará definitivamente ligado às restantes regiões de Angola, reforçando o papel estratégico do Caminho de Ferro de Benguela no desenvolvimento económico e logístico nacional.

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