A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) abriu hoje o seu XIV Congresso Ordinário, em que vai escolher um novo líder, num ambiente marcado pela festa e por apelos à união e à alternância democrática.

As cores vermelho e verde do partido fundado por Jonas Savimbi dominaram o recinto do Sovsmo, em Viana, onde decorre o congresso até domingo, numa celebração política que incluiu também coros e momentos musicais, apitos, buzinas e aplausos, sobretudo quando foi anunciado Adalberto da Costa Júnior, que disputa a liderança com Rafael Massanga Savimbi, filho do fundador do partido, denunciando assim o favoritismo do recandidato.
No discurso de abertura, o presidente cessante descreveu o congresso como “um ato de afirmação da maturidade democrática de um partido que soube atravessar tempos difíceis, superar provações e resistir a tentativas de silenciamento, permanecendo fiel à sua identidade, ao seu legado e à sua missão histórica”.
“Este congresso simboliza a maturidade de um projeto político que permanece fiel à sua essência”, afirmou, evocando a memória do líder fundador, Jonas Malheiro Savimbi, morto em combate em 2002, e recordando o desempenho da Frente Patriótica Unida (FPU) nas eleições de 2022.
Adalberto Costa Júnior integrou na sua intervenção referências aos 50 anos da independência nacional, saudando os signatários dos Acordos de Alvor — Holden Roberto, António Agostinho Neto e Jonas Malheiro Savimbi — e lamentando “a falta de um reconhecimento genuíno”, que considerou um “indicador claro da ainda frágil reconciliação dos angolanos”.
Criticou ainda o que classificou como “esbanjamento financeiro” nas cerimónias dos 50 anos da independência, numa altura em que o país enfrenta dificuldades económicas: “É uma opção errada e, de algum modo, antipatriótica”, disse.
Sublinhou que a data deveria ser celebrada “sob o signo da unidade e da reconciliação”, lamentando que persistam narrativas que dividem os angolanos em “vencedores e vencidos”.
“Não devemos repetir hoje aquilo que ontem nos separou”, apelou, defendendo a união em torno do interesse nacional e pedindo que se coloque “uma pedra sobre um passado de divisões e desconfianças”.
O dirigente afirmou que a UNITA “nunca se auto-excluirá”, por ter conquistado “o direito de plena participação política democrática”, e considerou que Angola precisa de “mudar de rumo”, pedindo o fim de “excessos e violações dos direitos, liberdades e garantias fundamentais”.
“Estamos decididos a trabalhar com todos para operar a tão desejada mudança política que Angola clama”, disse, acrescentando que o XIV Congresso deve definir a estratégia e programas para alcançar a alternância democrática em 2027.
Considerou que existe “uma crise de liderança” e que as instituições do Estado enfrentam “desafios de credibilidade e autonomia”, defendendo uma cidadania ativa e não condicionada.
Entre as reformas que pretende priorizar apontou a descentralização efetiva, a revisão constitucional, a independência do poder judicial, a liberdade de imprensa e uma economia aberta.
No congresso participam mais de 1.200 delegados provenientes de 326 municípios das 21 províncias do país, além de militantes, observadores eleitorais, membros do corpo diplomático, representantes da sociedade civil e representantes de outros partidos, com e sem assento parlamentar.
Antes do discurso de abertura, houve intervenções da JURA (juventude da UNITA), da organização feminina (LIMA) e foram lidas mensagens de partidos nacionais e internacionais, incluindo de um pré-candidato à liderança do MPLA, partido no poder em Angola desde 1975.
De acordo com os estatutos da UNITA, o Congresso é o órgão supremo do partido, responsável por definir a linha política e ideológica, aprovar estratégias e programas, rever estatutos, apreciar relatórios, eleger o presidente e a comissão política e deliberar sobre matérias estruturantes da organização. Durante três dias, os delegados vão analisar estas matérias e escolher o novo líder.
Este é o sétimo congresso da história da UNITA com múltiplas candidaturas.
Lusa

