A cotação do barril de petróleo Brent para entrega em outubro terminou ontem em alta de 1,36%, para 88,91 dólares, enquanto os investidores aguardam sinais de um acordo entre Estados Unidos e Irão para reabrir o estreito de Ormuz.

O crude do Mar do Norte, de referência para exportações angolanas, fechou a sessão no mercado de futuros do Intercontinental Exchange de Londres a cotar 1,19 dólares acima dos 87,72 dólares com que encerrou as transações na segunda-feira.
O Brent prolongou os seus ganhos pela quarta sessão consecutiva, ultrapassando hoje brevemente a marca dos 90 dólares, num momento de incerteza geopolítica no Médio Oriente, sem progressos claros nas negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão, e com o mercado a aguardar um acordo para reabrir o estreito de Ormuz, via crucial para as exportações de petróleo e gás dos países do Golfo.
Tanto o crude Brent como o West Texas Intermediate (WTI), de referência nos EUA, iniciaram a semana com uma recuperação de cerca de 5%, depois de Teerão ter anunciado no fim de semana a imposição de seis condições a Washington para a reabertura de Ormuz.
Estas condições incluíam o pagamento de reparações de guerra, o levantamento das sanções e do bloqueio naval e a libertação de fundos iranianos congelados.
O Irão declarou o estreito de Ormuz fechado desde meados de julho, após o retomar dos ataques aéreos norte-americanos contra o sul do país, aos quais Teerão respondeu atacando alvos e interesses de Washington em países do Médio Oriente.
Os Estados Unidos, por sua vez, reimplantaram o bloqueio naval aos portos e embarcações iranianos. Na segunda-feira, o Presidente Donald Trump assegurou que a Marinha norte-americana controla o estreito e que este está aberto e desminado, mas o trânsito de petroleiros mantém-se praticamente interrompido.
A subida dos preços foi também impulsionada pela notícia de dois novos ataques a navios de transporte de mercadorias, um no mar Vermelho – pelos Huthis do Iémen, que fez pelo menos quatro mortos – e um segundo no golfo de Omã, segundo a Organização Marítima e de Transporte Marítimo do Reino Unido (UKMTO).
O diretor regional da Infinox, Thadeu Dos Santos, referiu hoje, numa análise enviada à agência Efe, que os mercados aguardam agora a confirmação de “qualquer progresso diplomático”.
“Um acordo claro poderia empurrar os preços do petróleo para baixo (…) por outro lado, qualquer revés no processo poderia rapidamente restaurar o ‘prémio de risco’ geopolítico observado nas últimas sessões”, acrescentou.
Lusa

