Terça-feira, 11 de Agosto, 2026

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Tragédia na EN-100: 22 mortos e quatro feridos graves transferidos para o Hospital Julius Nyerere

Luanda — O recém-inaugurado Hospital Especializado em Queimados Presidente Julius Nyerere recebeu, esta segunda-feira, quatro dos feridos graves do acidente de viação ocorrido na Estrada Nacional 100, na localidade de Quibaúla, província do Cuanza-Sul, que provocou 22 mortos e 12 feridos.

Os quatro pacientes foram transferidos para Luanda por helicópteros da Força Aérea Nacional e receberam assistência no novo hospital especializado, localizado na Centralidade do Kilamba.

O acidente aconteceu por volta das 04h30 da madrugada de segunda-feira, 3 de Agosto, a cerca de 20 quilómetros da cidade do Sumbe. Segundo informações das autoridades, um autocarro da empresa Macon, que fazia a ligação entre Luanda e a Huíla, colidiu frontalmente com uma motorizada de três rodas que transportava bidões de combustível.

Na sequência da colisão, o combustível terá provocado uma explosão e um incêndio de grandes proporções, que rapidamente atingiu o autocarro.

A violência do acidente e a intensidade das chamas provocaram um elevado número de vítimas mortais e feridos graves. As autoridades alertaram inicialmente para a possibilidade de actualização do balanço, devido à gravidade da ocorrência.

Quatro feridos em estado grave chegam a Luanda

Os quatro pacientes transferidos para o Hospital Julius Nyerere apresentam queimaduras graves e necessitam de cuidados altamente diferenciados.

Segundo a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, um dos pacientes encontrava-se em estado crítico e necessitava de suporte ventilatório, tendo sido preparado para entrada directa na Unidade de Terapia Intensiva.

Outros três pacientes apresentavam queimaduras graves, incluindo lesões classificadas, em determinadas áreas do corpo, como queimaduras de terceiro grau.

A ministra garantiu que o hospital dispõe das condições necessárias para o tratamento de grandes queimados, incluindo quartos com controlo de temperatura e humidade e unidades de cuidados intensivos preparadas para receber pacientes desta natureza.

A transferência dos feridos para o Julius Nyerere ocorre poucos dias depois da inauguração oficial da unidade, que foi concebida precisamente para responder a casos de elevada complexidade relacionados com queimaduras e feridas graves.

Hospital Julius Nyerere estreia-se perante uma tragédia

A tragédia na EN-100 acabou por colocar o novo hospital perante o seu primeiro grande desafio clínico.

Inaugurado pelo Presidente da República, João Lourenço, o Hospital Especializado em Queimados Presidente Julius Nyerere foi concebido como uma unidade de referência nacional para o tratamento de grandes queimados.

A infraestrutura dispõe de 252 camas, incluindo 66 destinadas aos cuidados intensivos de adultos, crianças e recém-nascidos, além de seis salas cirúrgicas, imagiologia avançada, centro de hemodiálise, serviços de fisioterapia e reabilitação e áreas especificamente concebidas para pacientes com queimaduras graves.

O Ministério da Saúde tinha, antes da entrada em funcionamento da unidade, desenvolvido uma parceria técnica com especialistas brasileiros da Universidade Federal de São Paulo para preparar as equipas angolanas para o tratamento de grandes queimados e reforçar protocolos clínicos e de controlo de infecções.

A chegada dos primeiros pacientes provenientes de uma grande tragédia rodoviária demonstra, de forma particularmente dramática, a necessidade de uma unidade desta natureza no sistema de saúde angolano.

Corpos serão encaminhados para Benguela

Enquanto as equipas médicas trabalham na recuperação dos sobreviventes, as autoridades enfrentam outra tarefa particularmente delicada: a identificação das vítimas mortais.

Devido à violência do incêndio, muitos dos corpos encontram-se carbonizados, dificultando a identificação visual.

Uma comissão multissectorial criada para acompanhar o acidente decidiu encaminhar os corpos para a província de Benguela, onde serão submetidos a procedimentos de identificação no Laboratório de Criminalística.

A medida foi tomada porque as vítimas são provenientes de diferentes províncias, incluindo Cunene, Huíla, Benguela e Cuanza-Sul, e as autoridades ainda não dispõem de uma lista completa das pessoas que viajavam no autocarro.

As autoridades pretendem recorrer à recolha e comparação de ADN para permitir uma identificação rigorosa dos cadáveres e, posteriormente, comunicar oficialmente às famílias a confirmação da identidade dos seus familiares.

Famílias procuram informações

A dificuldade na identificação das vítimas tem provocado angústia entre familiares que procuram informações sobre pessoas que viajavam no autocarro.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, familiares deslocaram-se aos terminais da Macon em Benguela e na Huíla à procura de informações sobre os seus parentes.

Há também apelos para que sejam divulgadas listas dos pacientes internados nas unidades hospitalares, de modo a facilitar a localização dos sobreviventes pelas respectivas famílias.

O processo de identificação deverá permitir esclarecer a situação de cada passageiro e assegurar que os restos mortais sejam posteriormente entregues às respectivas famílias.

João Lourenço manifesta pesar

Perante a dimensão da tragédia, o Presidente da República, João Lourenço, manifestou sentimentos de pesar às famílias das vítimas mortais e desejou rápida recuperação aos feridos.

O acidente volta a colocar em evidência os riscos associados à circulação rodoviária nas estradas nacionais e a necessidade de reforçar as medidas de prevenção de acidentes, particularmente nas principais vias de ligação entre as províncias.

As causas concretas da colisão deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela investigação do acidente.

Uma tragédia que marca a entrada em funcionamento de uma nova unidade

O acidente da EN-100 acontece num momento simbólico para o Hospital Especializado em Queimados Presidente Julius Nyerere.

A unidade, inaugurada recentemente pelo Chefe de Estado, pretendia aumentar a capacidade de Angola para tratar casos de queimaduras graves dentro do próprio país.

Poucos dias depois, quatro vítimas de uma das mais graves tragédias rodoviárias registadas recentemente no país chegam às suas instalações em estado crítico.

As equipas médicas enfrentam agora a missão de tentar salvar os sobreviventes, enquanto as autoridades trabalham para identificar as 22 vítimas mortais e permitir que as famílias possam finalmente conhecer o destino dos seus parentes.

A tragédia deixa, para já, 22 mortos, 12 feridos e dezenas de famílias confrontadas com a perda e a incerteza, enquanto prosseguem as investigações para determinar as circunstâncias exactas que estiveram na origem do acidente.

Jornalista: [Nome do jornalista]

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