Sexta-feira, 5 de Junho, 2026

O seu direito à informação, sem compromissos

Pesquisar

PIB angolano cresce mais de 5% no segundo trimestre impulsionado pelos sectores não petrolíferos

A economia angolana registou um crescimento superior a 5% no segundo trimestre de 2026, sustentado principalmente pelo desempenho dos sectores não petrolíferos, que cresceram perto de 6%, segundo dados apresentados, esta quinta-feira, pela Equipa Económica do Executivo durante uma reunião com o Grupo Técnico-Empresarial, orientada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.

Os indicadores revelam uma evolução positiva da actividade económica nacional, acompanhada por uma desaceleração da inflação. A taxa de inflação passou de 14% em Dezembro de 2025 para 11,6% em Abril deste ano, reflexo do aumento da produção nacional, particularmente na classe de alimentação e bebidas não alcoólicas, onde se verificou uma maior disponibilidade de produtos e consequente redução da pressão sobre os preços.

Durante a apresentação, os responsáveis explicaram que o crescimento económico pode ser analisado sob três perspectivas: a produção, o rendimento e a despesa. Na prática, o aumento do Produto Interno Bruto (PIB) significa um crescimento do rendimento nacional, maior capacidade de consumo das famílias, mais investimento por parte das empresas e um reforço das receitas arrecadadas pelo Estado através dos impostos.

Segundo os especialistas da Equipa Económica, existe uma relação directa entre o aumento da produção nacional e a redução da inflação, sobretudo no segmento alimentar, considerado um dos principais factores de pressão sobre o custo de vida dos cidadãos.

Outro indicador destacado foi a evolução da dívida pública. Em 2025, o stock da dívida situou-se em cerca de 68 mil milhões de dólares, mantendo-se abaixo do limite de 60% do PIB estabelecido pela Lei da Sustentabilidade das Finanças Públicas. O Executivo considera este resultado um sinal de maior estabilidade macroeconómica e de melhoria da gestão das finanças do Estado.

As reservas internacionais líquidas também apresentaram um desempenho favorável. Até ao primeiro trimestre de 2026, Angola dispunha de aproximadamente 15,4 mil milhões de dólares em reservas, valor suficiente para cobrir cerca de oito meses de importação de bens e serviços. O indicador supera a referência definida pela Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, que recomenda uma cobertura mínima equivalente a seis meses de importações.

No encontro, os representantes do sector privado manifestaram satisfação com a implementação do Decreto Executivo n.º 130/26, que determina que os importadores adquiram pelo menos 20% de determinados produtos junto de produtores nacionais. Entre os bens abrangidos pela medida figuram carne suína, frango, arroz, açúcar refinado e tilápia.

Os empresários consideram que a iniciativa poderá contribuir para o fortalecimento da produção interna, estimular o investimento no sector agro-industrial e reduzir a dependência das importações.

Outro tema que mereceu destaque foi a redução do bloqueio dos números de identificação fiscal (NIF) por parte da Administração Geral Tributária. Os representantes empresariais reconheceram melhorias no tratamento da questão, embora defendam um acompanhamento contínuo para eliminar situações pontuais que ainda afectam algumas empresas.

Durante a reunião foi igualmente apresentado o novo coordenador do Grupo Técnico-Empresarial, Manuel Sumbula. Os participantes aproveitaram ainda o encontro para incentivar o sector privado a investir na construção de mais matadouros locais, com o objectivo de aumentar a capacidade nacional de abate e transformação de aves.

Os sectores do turismo, finanças, pescas, indústria e comércio dominaram os debates do encontro, que reuniu representantes de 22 associações empresariais e quatro consultores.

×
×

Cart