As embarcações dedicadas à pesca de arrasto de fundo estão proibidas de exercer actividade durante os próximos três meses, no âmbito das medidas de gestão sustentável dos recursos pesqueiros implementadas pelas autoridades angolanas, esta terça-feira, para garantir a reprodução e preservação de várias espécies marinhas.

A interdição abrange os meses de Junho, Julho e Agosto e visa proteger os períodos de reprodução de diversas espécies de elevado interesse comercial e alimentar, contribuindo para a reposição dos stocks pesqueiros e para a sustentabilidade da actividade pesqueira no país.
Na província do Cuanza-Sul, uma das regiões com forte tradição piscatória, a medida está a ser acompanhada por acções de sensibilização dirigidas aos pescadores e operadores do sector. As autoridades explicam que a redução temporária da actividade extractiva é necessária para evitar a sobre-exploração dos recursos marinhos.
Segundo responsáveis do sector das pescas, a preservação dos ecossistemas marinhos exige períodos de defeso que permitam aos peixes completar os seus ciclos de reprodução, assegurando a renovação natural das espécies e a manutenção da actividade económica a longo prazo.
A suspensão da pesca de arrasto de fundo surge numa altura em que já se encontra em vigor a proibição da captura da sardinha. Nos meses de Julho e Agosto entrará igualmente em vigor a veda do carapau, duas das espécies mais consumidas pela população angolana.
Representantes das associações de pescadores defendem uma maior coordenação e unidade entre os operadores do sector para garantir o cumprimento das medidas estabelecidas. Alertam ainda que a captura de espécies em período de reprodução compromete a sustentabilidade dos recursos e ameaça o futuro da actividade pesqueira.
Entretanto, o Serviço Nacional de Fiscalização Pesqueira e da Aquicultura intensificou as campanhas de sensibilização junto das comunidades piscatórias, procurando esclarecer os benefícios do defeso e as consequências das infracções à legislação em vigor.
As autoridades sublinham que o incumprimento das medidas poderá resultar na aplicação de multas e outras sanções previstas na lei. O objectivo, segundo os responsáveis, é promover uma cultura de responsabilidade e conservação dos recursos naturais, essenciais para a segurança alimentar e para o desenvolvimento económico das comunidades costeiras.
A pesca continua a desempenhar um papel importante na economia nacional e no sustento de milhares de famílias. Por essa razão, os especialistas defendem que a protecção dos recursos marinhos deve ser encarada como uma responsabilidade colectiva, envolvendo pescadores, comerciantes, autoridades e consumidores.
Com a implementação do período de defeso, o Governo pretende assegurar que as futuras gerações continuem a beneficiar da riqueza pesqueira existente ao longo da extensa costa angolana.

