O Governo Provincial de Luanda (GPL) encerrou, desde 2024, um total de 2.806 casas de pesagem de material ferroso nos 16 municípios da capital, no âmbito das acções do Programa de Protecção de Bens Públicos, criado para combater o vandalismo de infra-estruturas e equipamentos do Estado.

A informação foi avançada, esta quarta-feira, durante uma visita de constatação realizada por uma equipa multissectorial ao longo da Estrada da Samba, uma das zonas mais afectadas pela destruição e roubo de bens públicos.
No local, as autoridades verificaram vários pontos onde cercas de protecção colocadas ao longo da via foram removidas por vândalos, colocando em risco a segurança rodoviária e dos peões. Moradores da área relataram que as estruturas metálicas são frequentemente retiradas pouco tempo depois da sua instalação, obrigando à sua constante reposição.
Segundo os responsáveis do programa, grande parte do material furtado acaba por ser comercializado em casas de pesagem de sucata e material ferroso, alimentando uma cadeia de compra e venda que incentiva actos de vandalismo contra o património público.
Durante a operação de fiscalização e combate ao fenómeno, as autoridades procederam ao encerramento de milhares de estabelecimentos suspeitos de receber e comercializar material de origem ilícita. Paralelamente, foram detidas cerca de 160 pessoas alegadamente envolvidas em actos de vandalização.
De acordo com dados apresentados pelo GPL, entre 10% e 20% dos cidadãos detidos são estrangeiros, embora a maioria dos implicados seja composta por nacionais angolanos.
Apesar dos esforços das autoridades, o vandalismo continua a representar um dos principais desafios para a preservação das infra-estruturas públicas da capital. Durante a visita, foi possível observar cidadãos a atravessarem a estrada em locais proibidos, ignorando as passagens pedonais existentes, situação que contribui para a deterioração das cercas de protecção e aumenta o risco de acidentes.
O Governo Provincial de Luanda apelou à colaboração activa da população na denúncia dos autores destes actos e na preservação dos bens públicos, sublinhando que a protecção do património colectivo é uma responsabilidade de todos os cidadãos.
As consequências económicas do vandalismo continuam a pesar significativamente sobre os cofres públicos. Apenas em 2025, o GPL gastou mais de sete mil milhões de kwanzas na reposição de infra-estruturas danificadas, incluindo postes e sistemas de iluminação pública, cabos eléctricos, sarjetas, lâmpadas e outros equipamentos essenciais ao funcionamento da cidade.
As autoridades garantem que as operações de fiscalização e encerramento de estabelecimentos envolvidos na recepção de material furtado vão prosseguir, numa tentativa de reduzir os prejuízos causados ao Estado e melhorar a conservação das infra-estruturas públicas de Luanda.

