As empresas angolanas já podem preparar-se para efectuar pagamentos de bens e serviços aos seus parceiros comerciais na região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) utilizando directamente o kwanza, uma medida considerada histórica para a integração financeira regional e para o fortalecimento da moeda nacional.

A iniciativa resulta do processo de integração dos sistemas de pagamento da SADC e enquadra-se nas recomendações do G20 para a modernização e melhoria dos pagamentos transfronteiriços, anunciou esta terça-feira, o Banco Nacional de Angola (BNA). A medida deverá entrar plenamente em funcionamento durante o segundo semestre de 2026, através da integração do kwanza no Sistema de Liquidação em Tempo Real da SADC (SADC-RTGS).
Na prática, as empresas angolanas passarão a poder liquidar operações comerciais com parceiros da região utilizando contas bancárias domiciliadas em Angola e denominadas em moeda nacional, eliminando a necessidade de recorrer previamente ao dólar norte-americano ou a outras moedas estrangeiras para efectuar pagamentos.
Segundo o BNA, a nova solução permitirá reduzir custos associados à conversão cambial, diminuir a dependência de bancos correspondentes internacionais, aumentar a rapidez das transacções e conferir maior previsibilidade às operações comerciais entre os países membros aderentes ao sistema.
O governador do Banco Nacional de Angola, Manuel Tiago Dias, considera que a integração do kwanza no sistema regional representa um importante reforço da soberania monetária nacional, ao aumentar a utilização da moeda angolana nas transacções internacionais e reduzir a dependência da intermediação cambial baseada em moedas externas.
Para o presidente da Associação Industrial de Angola (AIA), José Severino, a medida constitui um passo positivo para a economia nacional, mas deve ser acompanhada pelo reforço da capacidade produtiva das empresas angolanas. O responsável defende que a indústria nacional precisa de ganhar competitividade para aproveitar plenamente as oportunidades criadas pela integração económica regional.
Especialistas em comércio internacional consideram que a utilização do kwanza nas operações regionais poderá estimular as exportações angolanas, sobretudo para os mercados da África Austral, ao facilitar as transacções e reduzir os custos financeiros associados ao comércio transfronteiriço.
A medida surge numa fase em que Angola reforça a sua participação nos mecanismos de integração económica da região, incluindo o processo de adesão à Zona de Comércio Livre da SADC, que visa reduzir barreiras ao comércio e promover uma maior circulação de bens, serviços e investimentos entre os países membros.
Além dos benefícios para as empresas, o projecto é visto como mais um passo na modernização do sistema financeiro angolano. O BNA sustenta que a integração regional dos pagamentos contribuirá para aumentar a eficiência do sector bancário, fomentar a inclusão financeira e impulsionar o comércio intra-africano.
Com a implementação do sistema, Angola aproxima-se das tendências globais que privilegiam pagamentos transfronteiriços mais rápidos, seguros e realizados em moedas locais, reduzindo a dependência de divisas externas e fortalecendo a integração económica regional.

