Terça-feira, 2 de Junho, 2026

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Israel diz ter aval dos EUA para retaliar ataques do Hezbollah

Israel anunciou hoje ter obtido o aval dos Estados Unidos para bombardear o subúrbio sul de Beirute, bastião do Hezbollah, se for atacado pelo grupo libanês pró-iraniano.

Num comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa, o ministro Israel Katz explicou que ele e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, juntamente com o exército, definiram um princípio de reciprocidade relativamente ao sul de Beirute e o norte de Israel.

“Se as localidades israelitas [do norte] continuarem a ser atacadas, iremos retirar a população e bombardear o bairro xiita de Dahiyeh em Beirute, bastião do Hezbollah”, declarou Katz.

Dahiyeh é a designação do subúrbio sul de Beirute, conhecido por ser o principal bastião político, social e militar do Hezbollah, abrigando muitos das instalações e líderes do grupo.

“Os Estados Unidos validaram este princípio e comunicaram-no ao Governo libanês, bem como a todas as partes envolvidas”, disse Katz, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

“Ou os disparos contra as localidades [no norte de Israel] cessam ou, se continuarem, bombardearemos Dahiyeh em Beirute”, acrescentou o ministro.

O comunicado foi divulgado depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado na segunda-feira que tinha conseguido uma trégua no Líbano e que Israel não atacaria Beirute.

No entanto, os meios de comunicação libaneses noticiaram a morte de oito pessoas num novo ataque israelita realizado hoje no sul do Líbano, enquanto projéteis do Hezbollah continuavam a visar alvos israelitas.

Na segunda-feira, Israel ameaçou bombardear os subúrbios do sul de Beirute, gerando pânico na capital libanesa e levando milhares de pessoas a fugir para zonas mais seguras.

Os confrontos ocorrem quando está agendada para hoje e quarta-feira, em Washington, uma segunda ronda de conversações entre Israel e o Líbano.

Os negociadores libaneses pretendem obter um cessar-fogo total que evite futuros ataques, de acordo com a agência de notícias norte-americana The Associated Press (AP).

As negociações, iniciadas em abril na capital norte-americana, constituem os primeiros contactos em mais de três décadas entre os dois países, que não mantêm relações diplomáticas formais.

Os combates representam um grande obstáculo ao acordo emergente para prolongar o cessar-fogo na guerra com o Irão, uma vez que Teerão exige que qualquer entendimento inclua a cessação total das hostilidades no Líbano.

O Hezbollah tem rejeitado negociações diretas, dependendo da pressão exercida pelo Irão.

A última vaga de confrontos entre Israel e o Hezbollah já provocou mais de 3.400 mortos no Líbano e forçou a deslocação de mais de um milhão de pessoas, de acordo com as autoridades de Beirute.

Pelo menos 27 militares e um prestador de serviços de defesa de Israel morreram no sul do Líbano ou nas proximidades, registando-se ainda a morte de dois civis no norte de Israel.

As forças israelitas informaram ao final do dia de segunda-feira que um soldado morreu no sul do Líbano e sete ficaram feridos no mesmo incidente, três dos quais em estado grave.

A utilização por parte do Hezbollah de drones de fibra ótica, difíceis de detetar, tem-se revelado mortífera para os militares israelitas, que enfrentam dificuldades para responder a esta ameaça, acrescentou a AP.

Lusa

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