Quarta-feira, 27 de Maio, 2026

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Trump afirma que ainda não está satisfeito com termos de acordo com o Irão

O Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou hoje que ainda não está satisfeito com o resultado das negociações com o Irão e voltou a colocar a hipótese de retomar a ofensiva militar para “terminar o trabalho”.

“O Irão está muito interessado em fechar um acordo. Ainda não chegámos lá. Não estamos satisfeitos com ele, mas vamos ficar, ou teremos de terminar o trabalho”, afirmou durante uma reunião com a sua administração na Casa Branca.

Trump afastou a possibilidade de um acordo que permita à República Islâmica exercer qualquer controlo sobre o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, que as forças iranianas mantêm sob ameaça militar, levando a que os preços de petróleo tivessem disparado os últimos meses.

“São águas internacionais, ninguém as vai controlar. Vamos monitorizá-las. Vamos monitorizá-las, mas ninguém as vai controlar”, frisou o líder norte-americano.

O líder norte-americano acrescentou que não tem pressa em chegar a um entendimento antes das eleições intercalares em novembro, nas quais estará em causa a maioria republicana no Congresso.

“Não me importo com as eleições intercalares. Vejam o que aconteceu ontem à noite”, declarou, referindo-se às primárias republicanas de terça-feira no Texas, nas quais venceu um candidato apoiado pelo dirigente republicano.

Os Estados Unidos e o Irão intensificaram os contactos indiretos na última semana, através de mediadores do Paquistão, para chegar a um acordo que ponha fim à guerra iniciada pela ofensiva israelo-americana em 28 de fevereiro.

A televisão estatal iraniana divulgou hoje uma minuta de um acordo preliminar que incluiria a reabertura do estreito de Ormuz e o adiamento das negociações sobre o programa nuclear de Teerão, mas a Casa Branca desconsiderou o documento, classificando-o como falso.

No texto, o Irão comprometia-se a permitir o tráfego marítimo comercial através do estreito de Ormuz nos níveis pré-guerra no prazo de um mês, num processo a ser gerido em conjunto com Omã.

“Ninguém as controlará. São águas internacionais e Omã comportar-se-á como qualquer outro país”, insistiu hoje Donald Trump.

Por sua vez, segundo o esboço do acordo negocial, os Estados Unidos levantariam o bloqueio aos portos e navios iranianos e retirariam as suas forças armadas das proximidades da República Islâmica.

Depois disso, os dois países teriam 60 dias para negociar as restantes questões que separam as partes.

Em causa, deverão estar o programa de enriquecimento de urânio e de produção de mísseis de longo alcance do Irão, bem como o seu apoio a grupos armados no Médio Oriente, a par do descongelamento de ativos iranianos no estrangeiro e levantamento de sanções internacionais a Teerão.

Sobre estes dois últimos assuntos, o Presidente norte-americano negou igualmente negociações para um possível alívio das sanções ou a libertação de fundos iranianos.

“Não, não estamos a falar de alívio de sanções nem de dar dinheiro. Nem sanções, nem dinheiro, nada”, afirmou Trump, reforçando as suas ameaças a Teerão.

“Estamos muito bem. Acho que estão a começar a dar-nos o que precisam de nos dar. Se o fizerem, ótimo. E se não o fizerem, então o homem à minha esquerda [o secretário da Defesa, Pete Hegseth] vai acabar com eles”, avisou.

As negociações foram abaladas nos últimos dias por ataques norte-americanos contra pontos de lançamento de mísseis e barcos de plantação de minas no sul do Irão.

Os Estados Unidos alegaram que agiram com “moderação” face ao cessar-fogo em vigor desde 08 de abril, enquanto o Irão condenou estas ações como um sinal de “má-fé e falta de fiabilidade”.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reconheceu na terça-feira algumas discrepâncias entre as partes que ainda têm de ser resolvidas, o que levará “alguns dias”.

Lusa

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