O presidente da FNLA, oposição angolana, considerou hoje nula a comissão nacional preparatória para o VI Congresso Ordinário, anunciada em março passado pelo Comité Central (CC), e negou as acusações de ditador e violador dos estatutos.

Nimi a Simbi apresentou hoje uma nova comissão nacional preparatória do próximo congresso da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), coordenada por João Roberto Soki-Soki, e desvalorizou a comissão criada pelo CC, coordenada por Ndonda Nzinga.
“O estatuto está claro, é o presidente que elabora essa comissão [preparatória], apesar de haver alguns desentendimentos na reunião do CC, mas a última palavra cabe ao presidente do partido. Daí que exarei o despacho para essa comissão preparatória. O resto não existe”, respondeu hoje Nimi a Simbi aos jornalistas.
O político, que falava em conferência de imprensa, negou também que seja um líder “ditador, imperador e violador” dos estatutos da FNLA, como foi acusado pelos membros do CC, considerando que estes “são irrealistas” a agem de “má-fé”.
A FNLA agendou o VI Congresso Ordinário para os dias 23, 24 e 25 de setembro próximo e o seu presidente apresentou hoje uma comissão preparatória do conclave, um mês após os membros do CC convocarem o conclave com uma comissão liderada por Ndonda Nzinga.
Membros do CC disseram, em março passado, que a convocação do congresso era da competência do CC e não de Nimi a Simbi, que hoje considerou nula a referida decisão.
João Roberto Soki-Soki (coordenador) e Carolina Miguel (coordenadora adjunta) são as figuras indicadas hoje pelo presidente da FNLA para liderarem a preparação do conclave de setembro.
Nimi a Simbi recusou ainda a existência de alas, disse que o partido funciona apenas com um CC e um Bureau Político, e admitiu dificuldades financeiras para a concretização do congresso, apesar de acreditar em “milagres”.
“Eu estou na FNLA há muitos anos. Não é fácil dirigir um partido que recebe 5 milhões de kwanzas (4,6 mil euros) por mês (…). Há momentos que inclusive temos de fazer “kilapi” (termo da gíria angolana para dizer dívidas), lamentou.
Recordou que os estatutos do partido impõem o respeito de prazos, mas, por força de dificuldades financeiras, “muitas vezes, os prazos não são cumpridos (…) e, então, entendem como desrespeito aos estatutos”, declarou, em resposta às críticas de membros do CC.
Questionado sobre uma possível recandidatura ao cargo, Nimi a Simbi, eleito em 2021 para um mandato que deve terminar em 30 de setembro próximo, e cuja liderança é também contestada pelo nacionalista e histórico dirigente da FNLA Ngola Kabangu, remeteu a decisão aos militantes.
“Eles [os militantes] vão apreciar [essa possibilidade da recandidatura], não é o Nimi que vai determinar, porque quando concorri foi decisão dos militantes e se assim for eu vou concorrer”, frisou, garantindo que nunca pensou em renunciar, apesar das crises internas.
“Nunca pensei em renunciar ao cargo, neste momento não sou feliz [por conta desses problemas], mas a vida é luta”, respondeu à Lusa.
Membros do CC que indicaram Ndonda Nzinga como coordenador da comissão nacional preparatória do congresso são acusados de pertenceram à ala de Ngola Kabangu, que em março reconheceu que o partido vive um momento de crispação interna e acusou Nimi a Simbi de “teimosia”.
Kabangu, que dirigiu a FNLA entre 2007 e 2011, negou também a existência de alas no seio da organização partidária.
A FNLA, partido histórico angolano e um dos signatários do Acordo de Alvor, assinado em 15 de janeiro de 1975, com o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e o Governo português da altura, tem vivido crises internas desde a morte de Álvaro Holden Roberto, em 2007.
Lusa

