Segunda-feira, 9 de Março, 2026

O seu direito à informação, sem compromissos

Pesquisar

Presidente da Zâmbia diz que obras no âmbito do corredor do Lobito “começam este ano”

O presidente da Zâmbia, Hakainde Hichilema, disse este sábado (7) que a construção da linha de ferro desde a região mineira até ao porto de Lobito, em Angola, vai começar ainda este ano.

Presidente da Zâmbia diz que obras no âmbito do corredor do Lobito “começam este ano”

“As obras começam este ano”, disse o chefe de Estado aos jornalistas, à margem de uma conferência e no seguimento de uma reunião com a instituição financeira multilateral Corporação Financeira Africana, que é a principal promotora do projeto.

Em declarações citadas pela agência de informação financeira Bloomberg, Hichilema afirmou: “Tem sido um processo lento, admito, mas vamos deixar de lado as grandes conferências, as palestras e os seminários, agora todos temos clareza para garantir que vamos implementar o projeto”.

O eixo ferroviário e económico conhecido como Corredor do Lobito tem duas componentes principais: a remodelação de uma linha ferroviária existente, que liga o porto ao sul da República Democrática do Congo, e um plano maior e mais dispendioso para construir uma ferrovia de 800 quilómetros que se estende desde a fronteira com Angola até ao noroeste da Zâmbia, sendo que só esta parte pode custar até quase 4 mil milhões de euros.

Atualmente, os comboios já circulam no lado angolano, desde o Lobito até à fronteira com a República Democrática do Congo, mas ainda de forma irregular e espaçada devido ao mau estado da linha, com descarrilamentos frequentes, incluindo um a 08 de fevereiro que interrompeu o tráfego.

Os EUA e a União Europeia consideram o projeto ferroviário de Lobito uma iniciativa emblemática para combater a crescente influência da China em África, ao mesmo tempo que garantem o acesso a metais essenciais para as baterias de veículos elétricos, bem como para as indústrias de defesa e aeroespacial, incluindo cobre e cobalto.

O Corredor do Lobito é uma infraestrutura estratégica que liga o Porto do Lobito, em Angola, às regiões mineiras da República Democrática do Congo e da Zâmbia, através do Caminho de Ferro de Benguela.

O corredor é visto como uma plataforma regional para facilitar o comércio transfronteiriço, reduzir tempos e custos de transporte e ligar países do interior da África Austral e Central ao Oceano Atlântico, promovendo o desenvolvimento económico ao longo do seu traçado. 

As declarações do Presidente da Zâmbia surgem na mesma altura em que o ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola considerou que o corredor do Lobito pode estender-se até Dar es Salaam, na Tanzânia, salientando os benefícios para a integração regional e o comércio mundial.

“O corredor do Lobito pode ligar-se à Tanzânia, a Dar es Salaam, e assim chegamos ao outro lado do mundo”, disse José de Lima Massano durante a conferência “Radar África – Os Caminhos de Angola”, que o Jornal de Negócios realizou na sexta-feira em Lisboa.

O governante salientou que a reabilitação da linha ferroviária desde o Lobito até à fronteira com a República Democrática do Congo (RDCongo), e depois até à Zâmbia, e seguindo para o porto de Dar es Salaam, na Tanzânia, “vai facilitar o comércio internacional, criar mais um canal competitivo de circulação de mercadorias entre os países e continentes e potenciar a integração regional” na África Austral.

Lusa

×
×

Cart