Quinta-feira, 19 de Fevereiro, 2026

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Moçambique deve aprender a planear melhor após “tragédia” das cheias – Presidente

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou hoje que o país deve aprender com a “tragédia” recente das cheias, reconstruindo e planeando “melhor”, para contrariar a “vulnerabilidade” que enfrenta.

Moçambique deve aprender a planear melhor após “tragédia” das cheias – Presidente

“As tragédias também nos ensinam. Ensinam-nos que reconstruir não basta. É preciso reconstruir melhor, planear melhor, construir com visão e recusar a continuidade da nossa vulnerabilidade. Temos de erguer resiliência. E é precisamente neste ponto que o ato que hoje realizamos — a entrega de 3.062 talhões infraestruturados — ganha uma dimensão ainda mais profunda”, disse o chefe de Estado.

Daniel Chapo entregou hoje cerca de 300 hectares de terrenos para construção de habitações no âmbito Projeto Nacional de Terra Infraestruturada, no povoado de Chiacanimisse, distrito de Matutuine, província de Maputo.

“Talhões devidamente demarcados, em áreas adequadas para habitar e previamente planificadas, com acesso a infraestruturas como vias de acesso, água, saneamento, energia e com reserva de espaços para serviços como escolas, posto de saúde, posto policial, comércio, mercado, lazer e desporto”, destacou.

O chefe de Estado acrescentou que não se trata apenas da entrega de 3.062 talhões de terra infraestruturada, representando antes, também, um passo para “organizar o território”, em contraponto com as inundações que no mês passado afetaram casas construídas em zonas proibidas.

“Estamos a proteger vidas atuais e futuras. Estamos a preparar comunidades mais seguras e a transformar a forma como o país vai crescer e está a crescer”, apontou.

“Igualmente, estamos hoje, como Estado, a nos reconciliar com a história, uma vez que beneficiarão também destes talhões antigos jogadores da nossa seleção nacional de futebol e membros da equipa técnica que, em 1996, se qualificaram para a Copa Africana de Nações, que decorreu na África do Sul”, sublinhou Daniel Chapo.

Manuel Bucuane ‘Tico-Tico’, considerado o maior goleador da história dos ‘mambas’, foi um dos antigos jogadores da seleção moçambicana beneficiados com a entrega dos títulos de Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT), referentes aos talhões de terreno.

Ainda sobre as consequências das cheias de janeiro, que afetaram cerca de 725 mil pessoas, sobretudo no sul do país, bem como da atual época das chuvas, desde outubro, Daniel Chapo garantiu que o apoio do Estado vai chegar: “Aos compatriotas que perderam as suas casas, os seus bens e, em muitos casos, o fruto de uma vida inteira de trabalho, quero dizer com clareza que não estão sozinhos: O Estado continuará presente, o Governo moçambicano continuará presente, a apoiarem, a reconstruírem e a criarem condições para que se levantem com ainda mais força, confiança e esperança”.

Igualmente, o Presidente moçambicano reconheceu a “extraordinária onda de solidariedade que se ergueu em todo o país e além fronteiras” após as cheias do mês passado.

“Moçambique voltou a demonstrar que, nos momentos difíceis, somos uma só família”, disse.

O número total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 228, com registo de mais de 863 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo a atualização divulgada hoje pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com informação da base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso e atualizada hoje às 08:57 (06:57 de Lisboa), foram afetadas 863.022 pessoas na presente época das chuvas, correspondente a 199.493 famílias.

Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 27 mortos – afetando 724.131 pessoas – e a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, levou à morte de outras quatro pessoas, segundo os dados atualizados do INGD sobre a época das chuvas.

O instituto acrescenta que um total de 14.815 casas ficaram parcialmente destruídas, 5.906 totalmente destruídas e outras 183.812 inundadas, na presente época chuvosa, bem como 272 unidades de saúde e 677 escolas afetadas.

Lusa

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