A Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos soube dos planos dos serviços secretos ucranianos para sabotar o gasoduto russo Nord Stream, no mar Báltico, embora sem apoiar a ação, segundo a revista semanal alemã Der Spiegel.

Segundo a publicação, os contactos aconteceram na primavera de 2022 na capital ucraniana, já sob ataque das forças russas, cuja invasão e ofensiva militar começou em 24 de fevereiro daquele ano.
“Disseram aos nossos rapazes: está tudo bem, está a correr bem”, disse uma das fontes ucranianas sobre a atitude dos agentes norte-americanos.
No início do verão de há quatro anos, a postura dos responsáveis da CIA terá mudado, de acordo com as mesmas fontes, tendo os serviços secretos dos Países Baixos recebido uma denúncia sobre o plano que comunicou aos homólogos alemães.
De acordo com Der Spiegel, os norte-americanos exigiram, junto do gabinete presidencial ucraniano, o abandono da ideia de atentar contra a infraestrutura de abastecimento russa que fornece, principalmente, o norte da Europa, mas o comando secreto de Kiev continuou a trabalhar com financiamento privado de cerca de 300 mil dólares (254 mil euros) para aquela operação.
Uma porta-voz da CIA negou tal versão dos factos, defendendo ser “completamente falsa”, mas sem se referir a pormenores específicos relatados pela publicação alemã.
O suposto mentor do atentado, um ucraniano conhecido como Sergui K., militar no ativo em 2022, está desde novembro do ano passado em prisão preventiva na Alemanha, após ter sido entregue pelas autoridades italianas.
O Tribunal Federal de Justiça alemão rejeitou em janeiro o recurso da defesa do suspeito contra a sua detenção e sublinhou que a Alemanha tem jurisdição no caso porque a tubagem em causa desemboca em território alemão, embora a ação tenha ocorrido em águas internacionais.
A autoridade judicial considerou ainda que Sergui K. não pode invocar o estatuto de imunidade de combatentes em conflito armado por se tratar, alegadamente, de uma operação secreta dirigida contra uma infraestrutura civil.
A operação destruiu três dos quatro gasodutos da rede Nord Stream, em setembro de 2022, e terá sido sancionada pelo oficial ucraniano, Valeri Zaluzhni, mas não pelo presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski.
Lusa

