Quarta-feira, 28 de Janeiro, 2026

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Novas regras na contratação pública em Angola podem levar ao bloqueio de despesas orçamentais

O diretor-geral do Serviço Nacional de Contratação Pública (SNCP) angolano disse esta segunda-feira que o Governo vai ser “mais incisivo” no controlo dos contratos públicos, com sanções que podem levar ao bloqueio da despesa das Unidades Orçamentais (UO).

Novas regras na contratação pública em Angola podem levar ao bloqueio de despesas orçamentais

Osvaldo Ngoloimwe falava à imprensa no final de um seminário promovido pelo SNCP para uma reflexão técnica, uniformização de procedimentos e reforço das boas práticas no âmbito da contratação pública para responsáveis institucionais, técnicos e especialistas do setor.

“Vamos ser mais incisivos, tivemos uma fase de pedagogia de quase dois anos, que é de formação e capacitação. Para este ano, há um conjunto de situações que poderão dar algumas sanções administrativas, incluindo a possibilidade de bloqueio da despesa das UO”, disse Osvaldo Ngoloimwe.

O responsável frisou que além do bloqueio das contas vão ser assacadas responsabilidade aos gestores máximos, para que “façam maior controlo da despesa”.

Osvaldo Ngoloimwe disse que vários desafios concorrem para o desalinhamento entre a atuação e o respeito pela lei da contratação pública em Angola, entre os quais “hábitos” do passado.  

“Temos de perceber que a primeira legislação de contratação pública do nosso país é do tempo colonial e ao longo do tempo do conflito armado, nós criámos alguma ausência de cultura e criou-se mesmo o hábito de entendermos que o ato de contratação pública é um exercício de assinatura de contrato e receber fatura”, realçou, vincando que é este paradigma que se pretende alterar.

“Contratação pública é planeamento, é cumprir procedimentos e é executar contratos de forma eficiente e, por acaso, temos assistido alguma mudança e evolução ao longo desses anos”, acrescentou.

Durante o encontro, Osvaldo Ngoloimwe alertou os agentes administrativos angolanos, que depois março, sendo realizado o bloqueio de despesas das UO, fica apenas a possibilidade do pagamento de salários. “Tudo o resto” não será praticável, sublinhou.

De acordo com o diretor-geral do SNCP, outra medida a adotar este ano estabelece que em todos os contratos de valor igual ou superior a 182 milhões de kwanzas (acima de 168 mil euros) deve ser exigida uma caução à empresa contratada, para a reparação de prejuízos em caso de incumprimento.

Segundo Osvaldo Ngoloimwe, todas as despesas devem observar estritamente o estabelecido por lei, acrescentando que, a partir de 2024, o Governo angolano deu início ao processo de avaliação das empresas, cuja contratação causou prejuízos ao Estado, tendo resultado em mais de meia centena de empresas impedidas de contratarem com o Estado devido a incumprimentos.

“Temos um total de 53 empresas. Isto é um indicador de ‘performance’ [desempenho], que tem de nos levar aqui a dois critérios (…): o nível de seriedade dos operadores económicos e até que ponto é que firmar contrato com o Estado é um exercício de muita responsabilidade”.

O diretor-geral do SNCP considerou prematuro avançar números no que se refere a prejuízos, por ser um processo dinâmico, ou seja, algumas das empresas impedidas de contratarem já repararam os prejuízos ao Estado e saíram da lista.

A partir do dia 22 de fevereiro até 25 de março brigadas do SNCP vão realizar formações em todo o país, para ajudar a uma contratação pública eficiente e transparente, disse o responsável.

A iniciativa, que contou com a presença do vice-governador para o setor económico do Governo Provincial de Luanda, Jorge Augusto, foi hoje dirigida a diretores do Gabinete de Estudo Planeamento e Estatística (GEPE) e dos gabinetes jurídicos, bem como dos administradores municipais para a área financeira da capital angolana.

Lusa

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